Pesquisadores que reanalisaram amostras do Sudário de Turim identificaram uma ampla variedade de material genético — incluindo DNA de plantas, animais e de pelo menos 14 pessoas — o que amplia o conhecimento sobre a história biológica do tecido, venerado por muitos como o pano que teria envolvido Jesus após a crucificação.

O que foi feito e o que encontraram

Os pesquisadores reaproveitaram resíduos orgânicos coletados da superfície do Sudário em 1978 e aplicaram técnicas modernas de sequenciamento genético. A quantidade de material genético recuperada foi maior do que a esperada, segundo os autores: superior até ao que se encontraria em uma toalha de piquenique muito usada.

Entre os vestígios detectados há DNA de dezenas de espécies vegetais e animais — de tomates, pepinos, melões, batatas e pistaches a amêndoas e nozes. Foi também identificada forte presença de amendoins (família Fabaceae), além de bananas, pimentões, milho e cenouras.

No componente animal, emergiram sinais genéticos de cães, gatos, galinhas, porcos, gado, cavalos e coelhos. A análise detectou ainda material proveniente de peixes, como bacalhau-do-Atlântico e tainha, e traços de coral vermelho do Mediterrâneo, usado na antiguidade na confecção de joias.

DNA humano e origens

O estudo apontou para ao menos 14 perfis humanos distintos. Um desses perfis é muito provavelmente do próprio cientista que recolheu as amostras nos anos 1970, descrito pelos autores como de ascendência europeia e judaica. Também foi identificada uma assinatura genética rara ligada à população druza de língua árabe, do Oriente Médio.

Os pesquisadores destacaram que quase 40% do DNA humano encontrado tem origem na Índia. Eles consideram plausível que esse resultado esteja associado à possível importação do linho utilizado na confecção do tecido a partir do Vale do Indo.

Imagem: Divulgação

O que as descobertas permitem reconstruir

Embora não seja possível determinar precisamente quando, onde ou como cada organismo entrou em contato com o Sudário, alguns vestígios ajudam a estabelecer uma cronologia parcial. As cenouras detectadas correspondem a variedades europeias cultivadas entre os séculos XV e XVI, e muitas das espécies de origem americana só poderiam ter chegado ao tecido após as viagens que levaram à chegada dos europeus às Américas em 1492.

Os autores afirmam que o Sudário funciona como um arquivo biológico acumulado por séculos de contato humano e exposição ambiental, e que a análise genética moderna permite extrair novas informações de artefatos históricos, mesmo sem resolver questões sobre a datação ou a autenticidade do pano.

Os resultados do trabalho foram publicados na revista Scientific Reports.

Com informações de Olhardigital