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O governo dos Estados Unidos informou, nesta quinta-feira (2), que pretende recorrer da decisão judicial que impediu a aplicação de sanções contra a empresa de inteligência artificial Anthropic. O Departamento de Justiça já tem até 30 de abril para apresentar seus argumentos perante o tribunal.

O que ocorreu

A controvérsia envolve a tentativa do Pentágono de qualificar a Anthropic como risco à cadeia de suprimentos do país, classificação que costuma ser atribuída a empresas de países considerados adversários. A Justiça federal suspendeu essa iniciativa e revogou também uma ordem presidencial emitida em 27 de fevereiro, quando o presidente Donald Trump determinou que agências federais interrompessem o uso de produtos da Anthropic.

Decisão judicial e reações

A juíza distrital Rita Lin proibiu as medidas do governo, argumentando que a legislação atual não autoriza tratar uma companhia americana como inimiga apenas por discordar de políticas governamentais e que as sanções poderiam paralisar a Anthropic. Lin ressaltou que a ordem não obriga os EUA a adotar os produtos da empresa nem impede que o governo procure outros fornecedores de IA.

Do lado do Pentágono houve críticas à decisão. Um alto funcionário descreveu o veredito como uma “vergonha”, e o subsecretário de Guerra, Emir Michael, afirmou que a liminar poderia prejudicar a capacidade do secretário Pete Hegseth de conduzir operações militares com aliados. Diversos grupos e empresas, entre eles a Microsoft, associações comerciais, trabalhadores do setor de tecnologia, militares aposentados e um grupo de teólogos católicos, apresentaram pareceres em favor da Anthropic.

Contexto e linha do tempo

A disputa tem raízes em acordos e decisões anteriores: em 11 de julho de 2024, a Anthropic firmou parceria com a Palantir para integrar o modelo Claude à plataforma Palantir AIP; em 14 de julho de 2025, recebeu do Pentágono um contrato de prototipagem de US$ 200 milhões. Em janeiro de 2026, Hegseth determinou que contratos de IA do Departamento de Defesa incluíssem cláusula de “qualquer uso lícito” em até 180 dias, exigência conflitante com as políticas da Anthropic, que vetam uso em vigilância em massa e armamentos totalmente autônomos.

Imagem: País e startup estão em rota de colisão – Koshiro K/Shutterstock

No fim de fevereiro, Hegseth exigiu formalmente que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, assinasse documento concedendo acesso irrestrito aos modelos Claude, sem as salvaguardas da empresa; a Anthropic recusou em 27 de fevereiro de 2026, quando Trump ordenou a suspensão do uso federal dos produtos da companhia e Hegseth declarou-a risco à cadeia de suprimentos. No dia seguinte, 28 de fevereiro de 2026, a OpenAI anunciou acordo para fornecer modelos ao Departamento de Defesa.

Apesar do banimento, o Pentágono utilizou ferramentas da Anthropic na operação aérea contra o Irã chamada Operação Epic Fury. Em 24 de março de 2026, houve audiência em tribunal federal na Califórnia; dois dias depois, a juíza Rita Lin barrou a medida do Pentágono.

Com a intenção de apelar, o governo agora busca reverter essa decisão no prazo fixado pelo tribunal, mantendo em aberto o desfecho sobre como o setor público americano poderá usar tecnologias da Anthropic no futuro.

Com informações de Olhardigital