TRANSMISSÃO: Record | Band
Ex-membros da equipe do restaurante Noma, fundado pelo chef René Redzepi, relatam um padrão de agressões físicas e humilhações ocorridas ao longo de anos, e recentes denúncias reacenderam o debate sobre a conduta do chef que transformou a casa em referência mundial da Nova Cozinha Nórdica.
O caso que trouxe atenção renovada ocorreu em fevereiro de 2014, quando, segundo relatos de presentes, Redzepi teria levado um subchefe para fora durante um serviço, na calçada fria, e ali desferido socos nas costelas do funcionário enquanto exigia que ele fizesse uma confissão em voz alta. Testemunhas disseram que o episódio terminou com a equipe retornando ao trabalho em silêncio.
Relatos coletados pelo New York Times com 35 ex-colaboradores descrevem episódios entre 2009 e 2017 em que Redzepi teria agredido funcionários no rosto, cutucado com utensílios e arremessado pessoas contra paredes. As testemunhas relatam ainda intimidação, humilhação pública e ameaças de usar influência para “queimá-los” no mercado, deportar famílias ou prejudicar empregos de parentes.
Alguns ex-integrantes destacaram que a cultura de violência seguiu mesmo depois de Redzepi reduzir sua presença nos serviços diários. Cerca de 30 ex-funcionários afirmaram que agressões por parte do chef e de membros da equipe sênior eram práticas rotineiras. Profissionais que passaram pelo Noma relataram jornadas exaustivas, estagiários não remunerados trabalhando até 16 horas em tarefas minuciosas e uma hierarquia rígida que ampliava a pressão por perfeição nos pratos complexos do restaurante.
Entre as vozes que falaram está Alessia, hoje chef em Londres, que afirmou que “ir trabalhar era como ir para a guerra” e pediu para não ter o sobrenome publicado. Outra fonte, identificada como Ben, que trabalhou no restaurante em 2012, descreveu punições coletivas e episódios de violência física contra estagiários e cozinheiros. Mehmet Cekirge, ex-estagiário de 2018, relatou ter sido alvo de gozações por sua origem turca e de tratamento humilhante por supervisores.
O caso ganhou nova força após posts no Instagram de Jason Ignacio White, ex-chefe do laboratório de fermentação do Noma, que afirmou ter testemunhado abusos físicos e psicológicos durante os três anos em que trabalhou na organização. As publicações, que agregaram depoimentos de outros ex-funcionários, já alcançaram milhões de visualizações.
René Redzepi reconheceu em declarações públicas ter apresentado comportamentos prejudiciais no passado e afirmou ter buscado terapia e distanciado-se da liderança diária do serviço. Em notas anteriores, ele admitiu comportamentos agressivos e pediu desculpas, embora também tenha afirmado em entrevistas que “provavelmente esbarrou nas pessoas” e que não reconhece todos os detalhes das acusações.
Imagem: Divulgação
O legado profissional de Redzepi inclui três estrelas Michelin, cinco vezes o primeiro lugar na lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo e reconhecimento oficial na Dinamarca. Em 2023, ele anunciou o fechamento do Noma como restaurante tradicional para focar em projetos, laboratórios e pop-ups globais. Ainda assim, ex-funcionários dizem que o novo modelo do empreendimento aproveita a marca pessoal do chef e que o recente pop-up em Los Angeles, com jantar a US$ 1.500 por pessoa, trouxe a lembrança do que consideram um passado de exploração.
Reportagens recentes também mostraram consequências comerciais após as denúncias: American Express e Blackbird retiraram patrocínio do pop-up em Los Angeles e prometeram reembolsar clientes, destinando valores arrecadados a organizações que apoiam trabalhadores de restaurantes. Chefs locais criticaram a vinda do Noma à cidade diante das dificuldades enfrentadas por restaurantes locais.
O Noma declarou ter implementado reformas, sistemas formais de recursos humanos, programas de treinamento de liderança e melhores jornadas de trabalho. Em 2022, após denúncias sobre a dependência de trabalho gratuito, a casa anunciou que passaria a remunerar estagiários e que sua estrutura estava sendo reformulada.
As denúncias públicas e as reações no setor renovaram o escrutínio sobre práticas históricas em cozinhas profissionais e sobre a responsabilidade de líderes que ganharam prestígio internacional.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6