Construtoras de alto padrão em São Paulo têm apostado em condomínios voltados à terceira idade, formatados como “senior living”: residências que combinam serviços de saúde e hotelaria para moradores mais velhos, com oferta de enfermaria 24 horas, fisioterapia, aulas de pilates e restaurantes no térreo.
Um dos primeiros empreendimentos desse tipo no país é o Naara Higienópolis, lançado em novembro de 2025 pela Tecnisa em parceria com a Naara Longevity Residences. O projeto, com entrega prevista para outubro de 2028, será erguido na Alameda Barros, em Higienópolis, e tem 26 andares e 106 unidades, dirigidas a pessoas com 75 anos ou mais.
Quem e como estão investindo
Do total do Naara Higienópolis, 70 unidades serão destinadas ao público sênior: 46 apartamentos de duas suítes à venda e 24 de uma suíte mantidos pela incorporadora para locação. O lançamento, em novembro de 2025, já vendeu 45% das unidades. O metro quadrado está em torno de R$ 28,5 mil — cerca de 15% a 20% acima de empreendimentos convencionais na região — e o condomínio é estimado em R$ 6,5 mil mensais, valor que engloba serviços de hotelaria, saúde e lazer.
A operação hoteleira ficará a cargo da HCC Hotéis, voltada a estadias longas; a área de saúde terá gestão da True Health, responsável por ambulatório e atendimento de emergência 24 horas; e o restaurante do térreo será operado pela rede Badauê.
O idealizador da Naara, Joseph Nigri, disse que o interesse pelo tema surgiu também por experiência familiar: “Ela precisava morar em um apartamento menor, contar com serviços e uma estrutura de saúde para cuidar dela. E tinha que estar com outras pessoas, convivendo, socializando.” Nigri afirma que a proposta busca preservar autonomia, com foco em prevenção e segurança.
Investidores relevantes entraram na operação: a família do empresário Rubens Ometto aportou R$ 60 milhões na Naara por meio da gestora Rio das Pedras, e a família Feffer, fundadora da Suzano, também se tornou sócia minoritária, com Josef Feffer envolvido na sociedade.
Outro player e formatos
A Vitacon, famosa por microapartamentos, lançará em agosto um projeto em Higienópolis com 510 estúdios de 30 m², majoritariamente destinados à locação. O preço por metro quadrado estimado varia entre R$ 28 mil e R$ 30 mil, o que coloca as unidades na faixa de R$ 840 mil a R$ 900 mil. O projeto contou com consultoria do Hospital Albert Einstein para ajustar plantas e áreas comuns a necessidades de saúde — corredores mais largos e elevadores preparados para macas, por exemplo.
A Vitacon planeja mais dois empreendimentos voltados ao público sênior para 2027 e diz que a expansão será gradual, aproveitando cerca de 20 terrenos que possui.
Imagem: Divulgação
Contexto demográfico e desafios culturais
O movimento responde a uma tendência demográfica: o Censo de 2022 registrou 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, equivalente a 15,8% da população — em 1980 esse percentual era 6,1%. Projeções do IBGE indicam que essa parcela pode se aproximar de 38% em 2070, quando haverá cerca de 316 idosos para cada 100 crianças e adolescentes de até 14 anos. Internacionalmente, o modelo já é mais consolidado: nos Estados Unidos havia quase 635 mil apartamentos senior living ocupados ao fim de 2025.
Porém, incorporadoras reconhecem barreiras culturais no Brasil. Cláudio Carvalho, CEO da AW Realty, afirma que “é uma tendência que está chegando ao país, mas ainda falta cultura para isso” e que prefere acompanhar projetos em funcionamento para aprender com acertos e erros. Para enfrentar parte da resistência, o Naara Higienópolis reservará estúdios para jovens que pagarão aluguel subsidiado em troca de participação na rotina do condomínio. A Vitacon, por sua vez, não pretende limitar totalmente seus empreendimentos ao público sênior, oferecendo também locações de curta duração em parte das unidades.
Além do Naara Higienópolis, a Naara Longevity Residences já adquiriu um terreno em Pinheiros e negocia áreas em bairros de alta renda como Vila Nova Conceição, Jardins, Paraíso e Morumbi, com expectativa de lançar um segundo projeto ainda em 2026.
Os empreendimentos colocam no centro a combinação de moradia, serviços e convivência social como alternativa às casas de repouso tradicionais, e testam se o público brasileiro de alta renda aceitará pagar mais por esse formato integrado.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6