Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, relatou ter enfrentado um processo demorado para obter um cartão de crédito após se mudar para Miami no ano passado com o marido e os quatro filhos. Segundo ela, a interação com a área de private banking de um grande banco levou meses e serviu como lembrança das dificuldades que motivaram a criação da fintech.
“Levou meses”, disse Junqueira ao reconstituir a experiência em uma entrevista concedida em Miami em 2 de março. A empreendedora acrescentou: “Nós sabemos como resolver esse tipo de problema”, destacando a razão de ter assumido a coordenação do projeto americano do Nubank.
Fundado por Junqueira e David Vélez em 2013 como reação à frustração com o sistema financeiro tradicional no Brasil, o Nubank tornou-se a fintech mais valiosa da América Latina, com valor de mercado próximo a US$ 73 bilhões. A empresa oferta crédito a clientes de diferentes faixas de renda e agora mira a expansão nos Estados Unidos sem abrir agências físicas.
O Nubank recebeu em final de janeiro uma licença condicional para prestar serviços bancários nos EUA, etapa inicial para obter uma licença bancária completa. Na ocasião, a companhia estimou começar a operar no país dentro de 18 meses. A empresa soma mais de 130 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia, mas terá de iniciar do zero em um mercado onde consumidores dispõem de milhares de bancos.
Junqueira, que tem mais de 800.000 seguidores no Instagram e se mudou de São Paulo para o sul da Flórida para liderar a operação americana, destacou que a construção da marca nos EUA será desafiadora. “Nada será mais difícil do construir uma marca nos EUA”, afirmou.
No Brasil, o Nubank já alcança mais de 60% da população adulta e detém mais de US$ 40 bilhões em depósitos. A oferta pública inicial nos EUA, em 2021, levantou US$ 2,6 bilhões e tornou Junqueira bilionária; sua participação na companhia vale cerca de US$ 1,9 bilhão. Desde a estreia, as ações da fintech subiram mais de 60%, ante ganho de 22% do KBW Bank Index, que monitora grandes bancos americanos.
Estratégia e oportunidades
Miami foi escolhida como base natural para a operação norte-americana devido à forte presença latina no condado e à familiaridade do nome Nubank entre comunidades com vínculos à América Latina. A fintech já buscou visibilidade no mercado local: o nome aparece no estádio do Inter Miami, clube que tem entre seus jogadores Lionel Messi, e Junqueira e Vélez marcaram presença na partida inaugural.
Imagem: Ysa Pérez
A empresa também firmou parceria com uma equipe de Fórmula 1 ligada à Mercedes-Benz e vem avaliando produtos para atrair imigrantes que fazem remessas frequentes a seus países de origem. Zachary Gunn, analista da Financial Technology Partners, afirmou que o Nubank poderia oferecer remessas gratuitas como forma de conquistar clientes, hipótese antes limitada por diferentes redes de pagamento.
Relatórios do Citi apontam que o Nubank deve focar em cartões de crédito e crédito pessoal nos EUA. Caso alcance 2% de participação na Califórnia, Texas e Flórida, a carteira de crédito americana poderia chegar a cerca de US$ 21 bilhões até 2030, equivalente a aproximadamente 60% da carteira de crédito do Nubank no Brasil e comparável a bancos médios regionais dos EUA. O Citi projeta retorno sobre o patrimônio de 20% para a operação americana, acima da média de 12% do setor bancário dos EUA.
Para ampliar alcance, a fintech contratou uma executiva do TikTok e abriu escritórios em Washington e em Palo Alto, na Califórnia. “Estamos construindo a operação para os americanos”, disse Junqueira. “As primeiras pessoas que vão nos reconhecer serão brasileiros, mexicanos”, adicionou, “mas vamos construir para essa geração afluente mais jovem que está surgindo nos EUA”.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6