O hábito de expor o períneo, a vulva ou os testículos diretamente ao sol — conhecido como perineum sunning — voltou a circular nas redes sociais como forma de aumentar energia, libido e vitamina D. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a prática não tem respaldo científico consistente e pode trazer riscos à saúde.

O que dizem as evidências sobre hormônios e vitamina D

Defensores da tendência costumam citar um estudo da década de 1930 que indicou alterações em derivados hormonais após irradiação da região genital. Médicos lembram, porém, que esse trabalho é antigo e não atende aos padrões metodológicos atuais, sendo insuficiente para orientar condutas clínicas. Pesquisas mais recentes mostram benefícios hormonais associados ao tempo passado ao ar livre, mas esses achados vinculam-se à exposição geral à luz solar, e não a incidir especificamente sobre as partes íntimas.

No caso da vitamina D, sociedades médicas destacam que a produção cutânea depende da presença de raios UVB e não é superior em vulva, períneo ou escroto em comparação a braços, pernas ou costas. Assim, para corrigir deficiência, o procedimento recomendado é exposição breve e segura em áreas habituais do corpo e, quando necessário, suplementação indicada por profissional de saúde.

Principais riscos associados à exposição genital ao sol

Dermatologistas e endocrinologistas apontam que a pele das regiões íntimas é mais fina e menos habituada à radiação intensa. Entre os riscos imediatos e cumulativos estão:

  • Queimaduras: exposição curta em horários de sol forte pode causar vermelhidão, dor, bolhas e descamação;
  • Câncer de pele: a radiação ultravioleta é o principal fator de risco e pode favorecer tumores em áreas pouco expostas, incluindo a região genital;
  • Envelhecimento precoce: perda de colágeno e alterações na textura e firmeza da pele;
  • Influência na fertilidade masculina: o aquecimento da bolsa escrotal pode prejudicar a espermatogênese.

Além disso, a crença em soluções rápidas com base em modismos pode atrasar a investigação de causas médicas reais para sintomas como queda de libido, fadiga, alterações menstruais ou dificuldades para engravidar. Condições como hipogonadismo, doenças crônicas, obesidade e distúrbios da tireoide exigem avaliação clínica adequada.

Perguntas frequentes

É seguro fazer perineum sunning por poucos segundos?
Mesmo exposições curtas, especialmente entre 10h e 16h, podem ser agressivas nessas áreas sensíveis. A recomendação geral é evitar a prática.

Existe indicação médica para expor genitais ao sol?
Não há indicação clínica rotineira de expor vulva, pênis, períneo ou testículos ao sol. Tratamentos com luz são realizados em ambiente clínico, com equipamentos e protocolos específicos, e não equivalem à exposição ao ar livre.

Imagem: Divulgação

Quem vive em ambientes pouco ensolarados precisa recorrer a isso?
Não. Exposições moderadas em braços, pernas e rosto, acompanhamento médico e suplementação quando indicada costumam ser suficientes.

Quais alternativas seguras para melhorar energia e libido?
Sono adequado, controle do estresse, alimentação equilibrada, redução de álcool e tabaco, exercícios regulares e acompanhamento psicológico ou sexológico são medidas com efeitos comprovados.

O que fazer se houve ardência após a prática?
Interromper a exposição, proteger a região, manter higiene e procurar atendimento médico se houver dor intensa, bolhas ou feridas.

Em resumo, especialistas recomendam priorizar formas seguras e comprovadas de receber luz solar e buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes, em vez de adotar práticas sem evidência.

Com informações de Correiobraziliense