TRANSMISSÃO: Record

O Índice de Fundos Imobiliários (IFIX), principal referência do setor na B3, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com alta acumulada de 2,5%, mesmo após a correção ocorrida em março. A evolução do indicador no período foi marcada por ganhos em janeiro e fevereiro e por uma queda em março, influenciada por fatores externos e pela percepção de maior risco inflacionário.

Desempenho mensal e contexto

Nos dois primeiros meses do ano o IFIX avançou 2,3% em janeiro e 1,3% em fevereiro. Em março, o índice recuou 1,06%, movimento associado à escalada de tensões geopolíticas, como o conflito no Irã, que pressionou os preços do petróleo e reacendeu preocupações sobre inflação e juros.

No acumulado de 12 meses até 31 de março, o IFIX registrou valorização de 16,8%. Apesar da oscilação recente, o Clube FII aponta que o índice ainda é negociado, em média, com desconto de cerca de 11% em relação ao valor patrimonial, o que pode gerar oportunidades para investidores de longo prazo, desde que haja seletividade nas escolhas.

Impacto da política monetária

O primeiro trimestre foi influenciado pela antecipação do início do ciclo de flexibilização monetária. Em março, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano, alívio que tende a reverberar na precificação dos imóveis e na dinâmica da economia. Ainda assim, a combinação de incertezas externas e ruídos fiscais internos elevou a volatilidade e ajustou expectativas para os cortes futuros da Selic, projetada em 12,5% ao final de 2026 segundo o Boletim Focus.

Destaques e movimentos do mercado

No ranking de performance do semestre, o Tellus Rio Bravo Renda Logística (TRBL11) liderou, com alta de 16,79% até 1º de abril, considerando valorização da cota e proventos. Em seguida vieram Ourinvest JPP (OUJP11), com +12,64%, e Itaú Total Return (ITRI11), com +11,33%.

O desempenho do TRBL11 foi impulsionado pela locação integral do seu principal ativo, o Centro Logístico Contagem (CLC), em Minas Gerais, para a Shopee, operação que o Clube FII considera um ponto de virada por resolver problema de vacância acumulado desde 2025.

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O mercado também apresentou sinais de consolidação e amadurecimento, com fusões, aquisições e transformações de Fundos de Fundos (FOFs) em estruturas multiestratégia. Entre as operações citadas pelo setor está a conclusão da aquisição da RBR Asset pelo Pátria. A gestão ativa e vendas estratégicas de ativos também foram ressaltadas, como a saída do HGBS do I Fashion Outlet, cuja operação rendeu performance histórica mencionada pelo Clube FII.

Perspectivas

A qualidade dos portfólios dos fundos imobiliários e a expectativa de novas quedas nas taxas de juros aparecem como fatores favoráveis, enquanto o agravamento das tensões geopolíticas cria incerteza e pressiona a precificação. O setor segue sensível ao movimento da curva de juros futura, e pesquisadores do mercado apontam que segmentos como os fundos de tijolo têm potencial para se beneficiar em um cenário de queda progressiva dos juros, enquanto ativos ligados a lajes corporativas continuam negociados com descontos patrimoniais.

O primeiro trimestre de 2026 ficou marcado, segundo o Clube FII, por um momento de “colheita” para o mercado de FIIs, após fortes altas em 2025 e indicadores de crescimento do número de investidores e do estoque financeiro do segmento.

Com informações de Borainvestir.b3