Uma formação rochosa localizada no vale Candor Chasma, em Marte, voltou a ganhar visibilidade nas redes sociais por sua aparência semelhante a uma pirâmide do Egito. A imagem da estrutura foi amplamente difundida após compartilhamentos no X pelo cineasta independente Brian Cory Dobbs, que já divulgou teorias alternativas sobre o planeta em seu documentário Blue Planet Red (2023).

O registro da formação remonta ao início dos anos 2000: a NASA fez imagens da região em 2001, e em 2002 o pesquisador independente Wilmer Faust identificou a estrutura ao analisar fotos da missão Mars Global Surveyor (MGS). Desde então, outras sondas da agência, como a Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), também capturaram imagens em alta resolução que mostram detalhes da área.

As fotos mais recentes voltaram a alimentar especulações, incluindo um post de Dobbs publicado em 16 de março de 2026, mas especialistas apontam que a “pirâmide” é, na verdade, uma formação natural. Conhecida como Tetraedro de Candor, a elevação tem 290 metros de diâmetro e 145 metros de altura e se integra ao relevo marciano sem evidências de construção artificial.

Candor Chasma é um dos maiores cânions de Marte e sua morfologia foi esculpida ao longo de bilhões de anos por processos como atuação de água, deslizamentos, vento e possivelmente atividade tectônica. A erosão diferencial deixou trechos mais resistentes em relevo positivo, que podem assumir formas que lembram estruturas geométricas conhecidas.

Ao examinar a formação de perto, nota-se que os lados são irregulares e as cristas não formam ângulos perfeitos — características típicas de fenômenos geológicos. Ondulações próximas atestam a ação contínua do vento, que contribui para o desgaste e modelagem das superfícies marcianas.

O interesse humano por essas semelhanças é explicado pela pareidolia, fenômeno que leva o cérebro a reconhecer padrões familiares, como faces ou figuras geométricas, em arranjos aleatórios. No caso do Tetraedro de Candor, a pareidolia alimenta a impressão de que a montanha poderia ser uma construção, o que dá margem a especulações sobre origem artificial.

Imagem: Divulgação

Apesar da ausência de indícios de estruturas feitas pelo homem ou por formas de vida, a geologia de Marte segue oferecendo imagens que combinam familiaridade e estranhamento. Instrumentos como a MRO permitem mapear camadas, cristas e relevos isolados com detalhes suficientes para apoiar estudos científicos e satisfazer a curiosidade do público.

O Tetraedro de Candor permanece como exemplo de como processos naturais podem gerar formas surpreendentes na paisagem marciana, despertando tanto atenção popular quanto interesse científico.

Com informações de Olhardigital