Um grupo de empregados do Google enviou ao CEO Sundar Pichai uma carta coletiva solicitando que a empresa não permita que suas ferramentas de inteligência artificial sejam usadas pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos em tarefas classificadas. A existência do documento foi revelada pelo jornal The Washington Post na segunda-feira (27).

O pedido dos funcionários se baseia em uma reportagem do início do mês do site The Information, que informou que o Google estaria em negociações com o Pentágono para fornecer tecnologia de IA em atividades militares, em um acordo comparável ao firmado entre o governo americano e a OpenAI.

Preocupações dos signatários

A carta reúne mais de 600 assinaturas, incluindo pesquisadores do laboratório DeepMind, e pede a rejeição de contratos que envolvam cargas de trabalho confidenciais. Segundo os autores, o acesso a modelos e serviços pela Defesa daria ao órgão liberdade para empregar a tecnologia em missões secretas, o que impediria auditoria externa e tornaria impossível o controle por parte dos funcionários.

Os signatários afirmam que a tecnologia foi desenvolvida para fins benéficos e manifestaram receio de que seu uso possa contribuir para ações “desumanas ou extremamente prejudiciais”. Entre os riscos mencionados estão a aplicação em armas autônomas letais e em programas de vigilância em massa. A carta também aponta que já houve perda de vidas e ameaças a liberdades civis atribuídas ao uso indevido de tecnologias nas quais esses profissionais trabalham.

Os autores defendem que a única forma de evitar associação da marca a esses tipos de eventos é recusar qualquer acordo que inclua trabalhos confidenciais, argumentando que, sem essa recusa, usos potencialmente nocivos poderiam ocorrer sem o conhecimento ou sem a possibilidade de intervenção dos próprios empregados.

O apelo chega cerca de dois meses após um episódio envolvendo a concorrente Anthropic, que pediu para o governo dos EUA não empregar seu chatbot Claude em trabalhos militares secretos; em resposta, o Departamento de Defesa dispensou os serviços da startup e aplicou uma sanção.

Imagem: Divulgação

Contexto histórico

Internamente, o uso militar de IA já gerou controvérsia na empresa. Em 2018, protestos de funcionários levaram o Google a encerrar sua participação no Projeto Maven, que integrava IA a software de análise de imagens de drones. Na época, a empresa prometeu não usar suas ferramentas em armas e em sistemas de vigilância, restrições que, segundo a carta, foram posteriormente flexibilizadas em novo acordo com o Pentágono.





Até o momento, Sundar Pichai não respondeu ao documento, e o Google também não se manifestou sobre o teor da carta.

Com informações de Tecmundo