Uma pesquisa divulgada pelo PoderData revela que 68% dos brasileiros são contrários à legalização do aborto no país, o maior índice de discordância registrado desde o início da série histórica, em 2021. Segundo o levantamento, 22% dos entrevistados manifestaram-se favoráveis à liberação da interrupção da gravidez e 10% afirmaram não ter opinião formada sobre o tema.

Ao segmentar por faixa etária, o levantamento mostra que pessoas de 25 a 44 anos – abrangendo millennials e integrantes da geração Z – apresentam a maior taxa de reprovação à medida, com 70% desse grupo posicionados contra. Entre aqueles com mais de 60 anos, o apoio chega a 25%.

Tendências globais

Em âmbito internacional, a pesquisa “Global Views on Abortion”, realizada em 2023 pela Ipsos, aponta que 62% dos baby boomers em média global defendem o direito ao aborto. Por outro lado, 53% dos millennials e 55% da geração Z se mostram contrários.

Posicionamento ideológico por faixa etária

Levantamento da AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, indica que 52% da geração Z se identificam com posições de direita ou centro-direita. Entre os millennials, o percentual é de 51%. Já 57% dos baby boomers declaram-se de esquerda ou centro-esquerda.

Opiniões de especialistas

Lenise Garcia, professora do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB) e presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, destaca que os baby boomers foram fortemente influenciados pelas transformações sociais dos anos 1960, incluindo a revolução sexual. Ela afirma que esse grupo adotou um “falso conceito de liberdade” na juventude e que as gerações posteriores, com maior capacidade de reflexão, optaram por outras perspectivas.

O relatório “Ipsos Global Trends” de janeiro ressalta ainda um ressurgimento de ideias conservadoras entre jovens. No Brasil, 57% dos homens da geração Z manifestam desejo de resgatar valores do passado, superando millennials e baby boomers nesse aspecto.

Danilo de Almeida Martins, defensor público federal e integrante da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, argumenta que o amplo acesso à informação permite aos jovens identificar contradições nas propostas do movimento abortista. Segundo ele, a indústria do aborto dissimula interesses financeiros sob a alegação de proteger direitos das mulheres, já que não há registros de prisões por autoaborto.

Imagem: Conexão Política Visual

Influências históricas e impacto demográfico

A introdução da pílula anticoncepcional no início da vida adulta dos baby boomers provocou mudanças profundas nas dinâmicas conjugais e na taxa de fecundidade. No livro “Ok Boomer, Let’s Talk”, a advogada Jill Filipovic observa que essa revolução sexual contribuiu para que boomers se casem mais tarde, tenham menos filhos e registrem maior incidência de divórcios na meia-idade, diferentemente das gerações mais novas.

Dados do Instituto Guttmacher apontam que, entre 1973 e 2017, ocorreram 60 milhões de abortos nos Estados Unidos. Com base nesses números, estima-se que quase 28% da geração Z americana (nascidos entre 1997 e 2011) nunca nasceram devido ao procedimento, o que equivale a quase 19,7 milhões de bebês. No caso dos millennials (1981-1996), foram cerca de 24,5 milhões de abortos.

O debate sobre aborto no Brasil e no mundo segue marcado por divisões etárias, ideológicas e culturais, com diferentes gerações adotando posturas que refletem transformações sociais e históricas.

Com informações de Conexaopolitica