Gestoras de private equity no exterior vêm adotando estratégias que já são comuns no Brasil: especialização por setores e foco intenso em geração de valor das empresas investidas. A mudança, registrada nos últimos quatro anos, é apontada em um recorte regional do “Relatório Global de Private Equity” da Bain & Company.

Segundo o estudo, a pressão por ativos mais caros e maior concorrência por operações levou fundos internacionais a detalhar e justificar melhor suas estratégias para acelerar crescimento e melhorar margens nas empresas participadas — práticas que, por razões estruturais, já fazem parte da rotina de gestores brasileiros.

O levantamento, aplicado pela primeira vez com foco no Brasil, reuniu informações de cerca de 80% das gestoras locais e 40% dos investidores com posição no País, com tratamento agregado para preservar confidencialidade, segundo a consultoria.

O relatório destaca que gestoras brasileiras dedicam recursos extensos a processos de due diligence que superam a verificação financeira e abarcam operação, dinâmica de mercado, posicionamento competitivo e avaliação da equipe de gestão. Essa abordagem integrada é apontada como característica das operações de maior sucesso.

O documento também relaciona a volatilidade das janelas de liquidez no Brasil e o custo elevado da dívida — decorrente de patamares altos de juros — como fatores que estimulam a priorização da geração de caixa. Em entrevista, o sócio da Bain & Company e líder da prática de Private Equity para a América do Sul, Gustavo Camargo, observou que, diante da incerteza sobre quando será possível realizar saídas, os gestores passam a preparar as empresas para serem vendidas a qualquer momento, assegurando fluxo de caixa e uma narrativa de crescimento para potenciais compradores.

O “manual” do private equity brasileiro

Além de especialização setorial e foco em geração de valor, o relatório identifica duas práticas consolidadas entre gestores do País: alocação faseada de capital ao longo do tempo e uso moderado de alavancagem. A divisão do compromisso de investimento em etapas busca reduzir a exposição a choques cambiais entre real e dólar — moeda em que muitos negócios são assinados — enquanto a restrição no uso de dívida reflete o impacto das taxas de juros elevadas.

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A pesquisa também apontou aumento expressivo nos valores globais de transações por setor: o segmento de tecnologia registrou alta de 30% entre 2024 e 2025, alcançando US$ 265 bilhões, e os setores de serviços essenciais e energia cresceram 75% no mesmo intervalo, para US$ 157 bilhões. Para a Bain, diante de preços e competição elevados no mercado global, demonstrar como uma gestora pode efetivamente gerar valor nas empresas tornou-se um imperativo estratégico — uma prática que já é habitual no Brasil.

Com informações de Infomoney