TRANSMISSÃO: do um superávit comercial recorde de US$ 1 | Record

Li Qiang sinaliza reação a críticas externas sobre o desequilíbrio comercial

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, afirmou que o governo vai responder às inquietações de parceiros comerciais a respeito do elevado superávit do país, durante discurso de abertura do Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim, no domingo (22). Segundo Li, Pequim está disposta a cooperar para tornar o comércio internacional mais equilibrado e saudável.

Li também anunciou medidas para aumentar o acesso de empresas estrangeiras ao mercado chinês no setor de serviços e disse que as importações de produtos médicos e de saúde, tecnologias digitais e serviços de baixo carbono serão ampliadas, com o objetivo de criar mais oportunidades para companhias estrangeiras.

A China registrou no ano passado um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, e as exportações mantiveram forte ritmo nos dois primeiros meses deste ano, o que elevou a preocupação em diversas economias sobre o impacto na sua indústria doméstica. A disputa comercial entre Estados Unidos e China culminou em uma guerra em 2025, que foi suspensa provisoriamente por uma trégua de um ano acordada entre Donald Trump e Xi Jinping em outubro.

Em dezembro, o presidente francês Emmanuel Macron alertou que a União Europeia poderia adotar “medidas fortes”, incluindo tarifas, caso a China não atue para reduzir o crescente desequilíbrio comercial com o bloco.

Autoridades chinesas já tomaram iniciativas para mitigar tensões, como a redução de incentivos fiscais à exportação para centenas de produtos, entre eles células solares e baterias. Ainda assim, a força industrial convive com enfraquecimento do consumo interno e excesso de capacidade em setores como energia solar, com intensa pressão sobre preços e margens.

O presidente do Banco do Povo da China, Pan Gongsheng, defendeu o superávit em conta corrente, afirmando que os recursos são realocados para diferentes regiões e setores por meio de investimentos externos de empresas e bancos chineses, e que isso contribui para o crescimento global e a estabilidade financeira.

Imagem: Bloomberg

O Fórum, criado em 2000 com apoio do ex-premiê Zhu Rongji, reúne líderes empresariais e autoridades após as principais reuniões políticas anuais da China. No evento, o CEO da Apple, Tim Cook, elogiou inovações de desenvolvedores chineses e a automação industrial, depois de críticas da imprensa do Partido Comunista à empresa.





Também no encontro, o número 2 do FMI, Dan Katz, recomendou que a China estimule mais o consumo — especialmente de serviços — elevando renda das famílias e reduzindo incentivos à poupança por precaução, realocando recursos de subsídios industriais e infraestrutura para proteção social e estabilização do setor imobiliário para dar mais confiança aos consumidores.

O aumento de custos ligado à guerra no Irã foi apontado como outro risco que pode pressionar margens industriais, e Li declarou preocupação com o avanço de certos focos de tensão, sem citar o conflito diretamente.

Com informações de Investnews