O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes encaminhou uma representação ao colega Alexandre de Moraes solicitando apuração do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) por ter compartilhado, em suas redes sociais, um vídeo com sátiras que atingem integrantes da Corte.

Na peça enviada a Moraes, Gilmar apontou a existência de indícios de crime na publicação feita por Zema, que abandonou o governo mineiro em março para disputar a pré-candidatura à Presidência da República. A comunicação sobre a iniciativa foi divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estado de S. Paulo.

Alexandre de Moraes solicitou, antes de decidir sobre a inclusão de Zema no inquérito das fake news, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste a respeito do caso.

O material compartilhado por Zema mostra uma conversa entre dois bonecos, em estilo de fantoches, identificados como representações dos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes. No enredo, Toffoli telefona para Gilmar pedindo que ele anule quebras de sigilo relacionadas a sua empresa, medida aprovada pela CPI do Crime Organizado do Senado. Gilmar, na encenação, combina anular as quebras em troca de uma gentileza no resort Tayayá, no qual Toffoli teria participação acionária.

A sátira tem como referência uma decisão real de Gilmar Mendes que anulou as quebras de sigilo da empresa Maridt. A Maridt pertence a Toffoli e a irmãos do ministro e recebeu aportes de um fundo de investimento associado ao banqueiro Daniel Vorcaro, conforme reportou o Estadão.

Na representação, Gilmar afirmou que o vídeo “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.

Críticas ao STF

Nas últimas semanas, Romeu Zema intensificou suas declarações críticas ao STF. Em 13 de abril, durante evento público, declarou: “O STF era um lugar que nós tínhamos uma certa confiança, mas já estava cheirando mal há alguns anos. Agora, realmente, aflorou toda a podridão que está lá dentro”.

Imagem: Divulgação

No dia 16 de abril, ao apresentar seu programa de governo, Zema afirmou que, se eleito presidente da República, proporia ao Congresso a criação de um “novo Supremo”.

O episódio ampliou o confronto público entre Zema e Gilmar. Em resposta às críticas, Gilmar lembrou que o ex-governador havia recorrido ao STF para postergar o pagamento de parcelas da dívida de Minas Gerais com a União. Zema retrucou nas redes sociais: “Ele deu uma decisão favorável a Minas Gerais, e agora descobri que foi um favor para eu ser submisso a ele pelo resto da vida.”

O desfecho do pedido de investigação depende agora da manifestação da PGR e da decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre a inclusão de Zema no inquérito.

Com informações de Jovempan