O banqueiro Daniel Vorcaro passou por avaliação médica nesta terça-feira (21) após sentir um mal-estar na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde se encontra preso. A abordagem ocorreu no local da custódia, e a Polícia Federal informou tratar-se de uma “situação clínica” sem gravidade, segundo fontes ouvidas pela defesa.

Exames em hospital

Aliados do empresário afirmaram que é provável a realização de exames complementares em hospital nos próximos dias. Para que isso ocorra será necessária autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável pela ordem de prisão no caso.

Restrição de visitas

Vorcaro passou cinco dias sem receber a visita de seus advogados. O período teve início na sexta-feira (17), quando a Superintendência da PF passou por uma dedetização, e se estendeu até terça-feira (21), que foi feriado de Tiradentes.

Delação em negociação

O banqueiro aguarda o avanço das tratativas para um acordo de colaboração premiada. Ele já firmou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República (PGR), etapa preliminar à eventual formalização da delação. Trata-se do primeiro procedimento desse tipo conduzido de forma conjunta entre PF e PGR, segundo relatos envolvidos no processo.

Operação Compliance Zero

Vorcaro está detido desde 4 de março, no âmbito da Operação Compliance Zero, por determinação do ministro André Mendonça. A acusação contra ele é de tentativa de obstrução das investigações relacionadas ao Banco Master, entidade que fundou e controlou até novembro do ano passado, quando foi liquidada pelo Banco Central.

Ligações com o STF

O caso do banqueiro ampliou uma crise institucional que atinge o STF. Ministros como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes foram associados a negócios envolvendo pessoas ligadas a Vorcaro. Entre os episódios citados está a compra do resort Tayayá, ligado a Toffoli, por um fundo associado ao banqueiro — ponto que motivou uma sequência de vídeos do pré-candidato Romeu Zema e gerou a solicitação de Gilmar Mendes para inclusão de Zema no inquérito das fake news.

Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Bancos, credores e impacto

A liquidação do Banco Master deixou um passivo bilionário em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) vendidos a investidores, muitos negociados por meio de cooperativas e fundos de previdência. A definição sobre a destinação dos ativos da instituição ainda não foi concluída. Caso a delação de Vorcaro seja formalizada, ela pode atingir nomes do meio político e do Judiciário.

Até o momento as autoridades não classificaram como grave o episódio de saúde; a defesa foi comunicada e acompanha o estado clínico do cliente. A Polícia Federal não divulgou informações adicionais sobre o quadro de Vorcaro até o fechamento desta edição.

Com informações de Conexaopolitica