O real brasileiro (BRL) tem apresentado desempenho mais forte do que várias moedas de mercados emergentes nas últimas semanas, apoiado principalmente pela alta dos preços do petróleo e por termos de troca favoráveis, segundo relatório do Goldman Sachs.

No documento intitulado “EM Trader: Rate Reality Check”, o banco identifica o real entre as divisas que mais se beneficiaram das mudanças no cenário global, junto a pares latino-americanos como o peso colombiano (COP) e o peso mexicano (MXN). O Goldman Sachs atribui parte do desempenho relativo à valorização das commodities, com ênfase no petróleo, observada desde o início do conflito no Oriente Médio.

Sensibilidade aos juros de longo prazo dos EUA

Ao mesmo tempo, o relatório destaca que o real permanece sensível à evolução das taxas de juros americanas, sobretudo no trecho longo da curva. O banco aponta que a moeda brasileira figura entre as emergentes com beta mais elevado em relação às taxas reais dos Treasuries de 10 anos, o que a torna mais exposta a movimentos abruptos de alta nos yields.

Entre 14 e 19 de maio, período analisado pelo Goldman Sachs, o real registrou desempenho inferior ao previsto pelos modelos que consideram fatores como bolsas globais, preços de commodities e juros dos EUA. A instituição relaciona esse comportamento ao ambiente mais adverso para ativos de risco, marcado pela combinação de alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e deterioração do sentimento global.

O banco ressalta historicamente que movimentos rápidos dos juros longos nos EUA — na ordem de 20 a 30 pontos-base por mês ou mais — tendem a pressionar de forma significativa as moedas emergentes, independentemente do desempenho das bolsas globais. Nesse contexto, o real tende a sofrer mais em episódios de estresse, dada sua maior sensibilidade às taxas reais americanas.

Como contrapeso, o Goldman Sachs aponta fundamentos externos relativamente sólidos que sustentam o real, entre eles termos de troca favoráveis decorrentes de preços mais altos de petróleo e outras commodities. Esses elementos ajudaram o real a performar melhor do que diversas moedas asiáticas desde o início do conflito, especialmente nos países importadores de energia.

Imagem: Divulgação

O relatório também destaca que moedas latino-americanas com rendimentos elevados, como o real, costumam atrair fluxos em estratégias de carry trade quando há maior apetite por risco, o que contribui a limitar perdas em cenários mais benignos.

Para os próximos meses, o banco projeta um equilíbrio delicado entre forças positivas — como o apoio das commodities e juros locais elevados — e riscos externos representados por taxas de juros americanas mais altas e maior volatilidade. Caso o avanço dos juros dos EUA desacelere, o real pode ter algum alívio; por outro lado, a continuidade de uma alta acelerada nos yields pode intensificar a pressão sobre a moeda brasileira.

Com informações de Infomoney