O Grupo Mateus reportou um primeiro trimestre de 2026 complicado, marcado pela redução do quadro de funcionários e por receita sob pressão, segundo o balanço divulgado no último dia 14. A rede supermercadista informou o desligamento de cerca de 6.000 colaboradores, queda superior a 13% no efetivo de empregados em relação ao fim de 2025.
Ao término de 2025, o grupo contava com 47.900 funcionários. No fechamento do primeiro trimestre de 2026, esse número caiu 6.673 pessoas, para 41.227 empregados, com os cortes ocorrendo em seis estados. A empresa também fechou 28 lojas no período e inaugurou quatro novas unidades.
Durante a teleconferência sobre os resultados, o presidente do conselho de administração, Ilson Mateus Rodrigues, afirmou que há previsão de mais medidas para reduzir despesas, embora não se espere novos cortes de pessoal.
Deterioração das vendas e desempenho financeiro
Analistas da XP apontaram receita líquida 8% abaixo das estimativas da casa, ainda que com avanço de 13% na base anual. As vendas nas mesmas lojas (SSS) recuaram 7,3% no trimestre — uma queda de aproximadamente 6 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior — pressionadas pela deflação de alimentos, acesso mais restrito ao crédito para consumidores e maior endividamento das famílias.
A empresa decidiu reduzir o canal “Balcão” — vendas dentro das lojas — para priorizar formatos mais rentáveis. A mudança ajudou a elevar a margem bruta, mas contribuiu para o fraco desempenho das SSS. A XP também destacou que a desalavancagem operacional resultou em retração de 30 pontos-base na margem de EBITDA ajustado no comparativo trimestral, embora o EBITDA ajustado tenha ficado em linha com estimativas mais cautelosas em função da melhora da margem bruta.
O relatório da XP lembra que a companhia vem ajustando a estrutura diante de um cenário de crescimento de receita mais fraco, com corte de 9% do quadro de pessoal desde setembro de 2025. A opção do Grupo Mateus de deixar de divulgar vendas por canal também dificulta a avaliação e a projeção do desempenho operacional.
Para o Itaú BBA, porém, houve pontos positivos: a companhia gerou cerca de R$ 250 milhões de caixa no trimestre, resultado melhor do que o esperado em um cenário de consumo de caixa, com capital de giro mais saudável e estoques enxutos. Ainda assim, o banco considera que o fraco crescimento de receita, a pressão no Nordeste e o adiamento da inflexão operacional para o segundo semestre de 2026 mantêm o curto prazo desafiador e podem levar a revisões negativas de lucro apesar das iniciativas de produtividade.
Problemas anteriores e visão do mercado
As dificuldades do Grupo Mateus vinham sendo sinalizadas desde 2025. No quarto trimestre daquele ano, analistas já destacavam resultados fracos e um ambiente desafiador, com expectativas de dinâmica de inflação de alimentos que permaneceriam difíceis no primeiro semestre de 2026. Em relatório anterior, a XP e o Itaú BBA apontaram riscos relacionados a crédito ao consumidor e deflação de alimentos.
Imagem: Divulgação
Em resultado do terceiro trimestre de 2025, a rede enfrentou a repercussão de um erro de R$ 1,1 bilhão na valoração de estoques de 2024, provocado por equívocos no cálculo do custo médio das mercadorias. Esse ajuste reavaliou o estoque de R$ 6 bilhões para R$ 4,9 bilhões e levou o patrimônio líquido a R$ 9,1 bilhões, com uma redução próxima de R$ 695 milhões.
O histórico também inclui menção a deficiências internas identificadas em auditoria de 2020: o formulário de referência enviado à CVM em maio de 2021 registrou 42 deficiências moderadas apontadas pela então auditoria Grant Thornton.
O mercado segue dividido sobre as ações da companhia. Levantamento da LSEG com quatro casas que cobrem o papel aponta recomendação de compra pelo BTG e pela XP, classificação “outperform” (equivalente a compra) pelo Itaú BBA e avaliação Neutra pelo Santander.
O Grupo Mateus atribuiu parte da queda no lucro trimestral à deflação de alimentos e ao impacto das commodities no período, e manteve que as medidas em curso visam restabelecer a trajetória de recuperação de forma gradual.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6