Às 11h45 (Brasília UTC-3), após a divulgação de balanços do primeiro trimestre de 2026, diversos papéis listados na B3 apresentavam movimentos extremos: Trisul (TRIS3) a R$ 4,29, queda de 6,74%; Viveo (VVEO3) a R$ 1,26, recuo de 6,67%; Sanepar (SAPR4) a R$ 7,50, baixa de 4,09%; e Cosan (CSAN3) a R$ 4,44, perda de 4,52%. No sentido oposto, Vittia (VITT3) avançava 8,95%, cotada a R$ 3,41; 3Tentos (TTEN3) subia 2,53%, a R$ 17,01; e Light (LIGT3) ganhava 1,77%, negociada a R$ 4,02.

Cosan (CSAN3)

A Cosan reportou prejuízo líquido de R$ 1,6 bilhão no 1º trimestre de 2026, melhora de 11% frente ao prejuízo de R$ 1,8 bilhão do mesmo período de 2025. O Ebitda consolidado alcançou R$ 3,1 bilhões, avanço de 60% na comparação anual, mas ficou abaixo do quarto trimestre de 2025, quando foi R$ 3,8 bilhões. O Goldman Sachs manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 5,80, apontando upside de cerca de 25% em relação ao fechamento de R$ 4,65. O banco destacou a necessidade de monitorar alocação de capital na holding e o processo de desalavancagem, observando que parte do aumento da dívida líquida se deve a pagamentos pontuais relacionados à quitação antecipada de dívidas e derivativos. Recursos do IPO da Compass, não refletidos no 1T26, devem reduzir alavancagem no 2º trimestre. A companhia objetiva zerar a dívida da holding, o que pode levar a novas vendas de ativos.

Viveo (VVEO3)

A Viveo teve prejuízo líquido contábil de R$ 57 milhões no 1T26, ante prejuízo de R$ 59 milhões no 1T25. O resultado financeiro seguiu pressionado pelo patamar mais alto da Selic, embora o início da queda de juros traga algum alívio. O Santander avaliou que os resultados operacionais vieram acima do esperado, com expansão de margem, mas a receita líquida ficou abaixo das estimativas devido ao desempenho mais fraco em grande parte dos segmentos. Hospitais e clínicas foram o destaque positivo. A geração de caixa melhorou e houve fluxo de caixa livre pós-capex positivo, porém a alavancagem permanece elevada (dívida líquida/Ebitda ajustado em 3,88 vezes). A empresa discute alterações nas debêntures em assembleia prevista para junho de 2026. O BBI mantém recomendação neutra, citando questões de valuation e a necessidade de confirmação da sustentabilidade da margem bruta do 1T26.

Trisul (TRIS3)

A incorporadora registrou lucro líquido de R$ 28,3 milhões no 1T26, queda de 34,2% ante o mesmo período de 2025. A receita líquida subiu 26,2%, para R$ 343,2 milhões. O lucro bruto ajustado cresceu 8,4%, mas a margem bruta ajustada caiu 5 pontos percentuais, para 30,4%. O Bradesco BBI considerou o resultado neutro, sem surpresas relevantes, e ressaltou a pressão de custos e o mix desafiador como fatores que comprimiram margens. O ROE em torno de 12% indica geração de valor moderada, e a empresa vem reduzindo alavancagem usando caixa para desalavancar. A desaceleração sequencial em lançamentos e velocidade de vendas sugere demanda mais cautelosa no curto prazo. A Trisul segue com valuation descontado (0,7 vez P/VP), mantendo recomendação neutra e preço-alvo de R$ 10, segundo o mercado. O BTG destacou resultados mistos e maior exposição ao segmento de baixa renda, com melhor geração de caixa no trimestre.

Sanepar (SAPR4)

A Sanepar apurou lucro líquido de R$ 352,7 milhões no 1T26, queda de 70,8% em relação ao 1T25, em que houve reconhecimento extraordinário de receita relacionado a ação de IRPJ e provisão para passivo regulatório. Ajustando efeitos não recorrentes, a queda seria de 16,9% ano a ano. O BTG Pactual apontou resultados abaixo das expectativas: receita líquida de R$ 1,95 bilhão (+8% YoY), impulsionada por reajuste tarifário de 6% e maiores volumes faturados; Ebitda de R$ 844 milhões (+3% YoY) ficou aquém das estimativas devido a custos mais altos e provisões; e lucro líquido impactado por maior carga tributária efetiva. As despesas operacionais cresceram 11% para R$ 1,10 bilhão. A relação Dívida Líquida/Ebitda permaneceu baixa em 0,7 vez, beneficiada por créditos fiscais recebidos em setembro de 2025. A XP projetava um Ebitda 5% menor, mas destacou receitas ligeiramente maiores e inadimplência melhor do que o esperado.

Vittia (VITT3)

Imagem: Divulgação

A companhia registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 5,4 milhões no 1T26, deterioração de 175,9% ante o 1T25. O Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 600 mil, revertendo o Ebitda positivo de R$ 6,9 milhões no 1T25. A receita líquida caiu 11,5%, para R$ 121,9 milhões. O Itaú BBA considerou os números alinhados com suas projeções, ressaltando o impacto da sazonalidade e a queda generalizada de receita em todos os segmentos. A contração de margens e o comportamento cauteloso dos produtores continuam pressionando a demanda; a recuperação dependerá dos preços no 2S26, com visibilidade ainda incerta.

3Tentos (TTEN3)

A Três Tentos registrou lucro líquido ajustado de R$ 230,9 milhões no 1T26, mais que o dobro dos R$ 109,6 milhões do ano anterior. O Ebitda ajustado ficou em R$ 394 milhões, valor 33% acima da projeção da XP, que vê espaço para revisões positivas de lucro no futuro. O desempenho foi atribuído a margens brutas mais fortes no negócio de Trading (margem bruta ex-hedge de 17,7% ante projeção da XP de 13,5%) e execução consistente de hedge. O Bradesco BBI avaliou o trimestre como construtivo, embora a sustentabilidade das margens unitárias e o efeito de hedge mereçam cautela. Mesmo sob avaliação conservadora, o 1T26 representa um ponto de inflexão após a deterioração de margens no 4T25.

Light (LIGT3)

A distribuidora do Rio de Janeiro reportou lucro líquido de R$ 2,8 bilhões no 1T26, alta de 573% em relação ao 1T25. A receita líquida cresceu 8,1%, para R$ 4,406 bilhões. O Ebitda ajustado da Light foi de R$ 423 milhões, 24% acima das estimativas da própria companhia, mas 27% inferior ao registrado no ano anterior. O lucro bruto foi de R$ 789 milhões, abaixo da expectativa da XP de R$ 823 milhões, devido a volumes menores e maiores custos de compra de energia. No consolidado, o Ebitda ajustado foi de R$ 247 milhões, 21% acima da XPe, porém 48% menor ano a ano. A empresa anunciou aprovação de aumento de capital entre R$ 1,0 e R$ 1,5 bilhão, como etapa para encerrar o processo de recuperação judicial (Chapter 11). A XP mantém visão construtiva, apontando esperada revisão tarifária em 2027 e possíveis mudanças regulatórias que podem reduzir perdas e elevar a inadimplência regulatória.

As reações das ações refletem a combinação entre resultados operacionais, expectativas de analistas e fatores específicos como alavancagem, provisões e movimentos societários comunicados pelas empresas no balanço do 1º trimestre de 2026.

Com informações de Infomoney