A escalada do conflito no Irã colocou em xeque uma das apostas de Wall Street: os mercados emergentes. Nos últimos dias, ações e moedas desses países sofreram perdas relevantes, em meio à aversão ao risco e a busca por ativos considerados mais seguros.
O índice MSCI de mercados emergentes registrou sua maior queda semanal em seis anos, enquanto os rendimentos de títulos nesses países subiram, refletindo vendas e uma migração para ativos de proteção. Segundo relatório do Bank of America, com dados da EPFR Global, investidores alocaram US$ 12,6 bilhões em ações e títulos de mercados emergentes na semana até quarta-feira (4).
Reações dos gestores e argumentos de longo prazo
Gestores de empresas como Pimco, Barings e T. Rowe Price afirmam que os fatores que sustentavam a recuperação dos emergentes — diversificação em relação aos ativos dos EUA, avaliações mais atrativas e crescimento econômico — continuam válidos, apesar do choque geopolítico. A maioria tem evitado mudanças drásticas nos portfólios, enquanto alguns fazem ajustes pontuais.
Para muitos desses investidores, o tempo de duração do conflito será determinante. Caso a crise se restrinja, o argumento de retomada dos ativos emergentes tende a se fortalecer, e parte do mercado já tem aproveitado quedas recentes para aumentar posições.
Impactos nos mercados e recomendações
Os rendimentos dos títulos em moeda local dos mercados emergentes alcançaram níveis não vistos desde abril, após quedas nas moedas locais que levaram à venda desses papéis. O petróleo Brent superou US$ 90 por barril, elevando preocupações sobre pressão inflacionária e impacto no crescimento de países importadores de energia.
O fortalecimento do dólar como refúgio em momentos de turbulência tem apertado as condições financeiras globais e reduzido retornos para investidores em mercados emergentes. Em resposta ao aumento da incerteza, o J.P. Morgan revisou suas recomendações três vezes na última semana, reduzindo o otimismo para posições neutras em câmbio e juros locais e passando a recomendar “subexposição tática” em títulos soberanos e corporativos denominados em dólar.
Estratégias específicas adotadas
Algumas gestoras identificaram oportunidades na volatilidade. A VanEck, por exemplo, aumentou exposição a países como África do Sul, Colômbia e Chile, aproveitando a desvalorização das moedas. Analistas apontam que exportadores de commodities entre os emergentes podem se beneficiar de preços mais altos de matérias-primas, favorecendo especialmente América Latina e África Subsaariana.
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No caso da Ásia, há risco de desafios econômicos maiores, ainda que o continente mantenha atrativos ligados à solidez de políticas econômicas e à valorização do yuan chinês, segundo gestores ouvidos.
Para a T. Rowe Price, os fundamentos dos emergentes seguem relativamente sólidos, mas a combinação de petróleo mais caro e políticas fiscais mais expansionistas nos Estados Unidos pode elevar a volatilidade global. A gestora tem priorizado ativos de maior qualidade e liquidez, reduzindo exposição a países considerados mais arriscados. Nos mercados locais, prefere países sem eleições relevantes nos próximos meses e com taxas de juros reais elevadas, citando México, Romênia e Turquia.
Visões de longo prazo
Gestores como o da DoubleLine e da Pimco sustentam que, se o choque geopolítico for temporário, os fundamentos de longo prazo dos mercados emergentes permanecem intactos. Eles destacam ganhos de credibilidade fiscal em alguns governos, inflação mais controlada e maior interesse global por diversificação. A Barings ressaltou que o efeito do petróleo mais alto atinge também economias desenvolvidas, mas que os emergentes continuam apoiados por avaliações atrativas e por estarem sub-representados em carteiras globais.
No momento, a avaliação predominante entre gestores é que o cenário futuro dependerá da evolução do conflito e da duração do choque — variáveis que influenciarão risco de crescimento global e a trajetória dos ativos em economias emergentes.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6