O cantor e compositor Guilherme Arantes disponibilizou em 15 de janeiro de 2026 o oitavo disco de sua carreira sob o título Interdimensional. Com edição digital, LP duplo e CD, o trabalho reúne 15 faixas, das quais 10 são inéditas e cinco regravações de canções que o artista havia cedido a outros intérpretes.

Entre as novidades, destaca-se o single de abertura “Libido da alma”, marcado por uma levada black que defende o amor como antídoto contra o ódio nas redes sociais. Logo em seguida, a balada “A vida vale a pena (I believe in love)”, com letra de Nelson Motta, traz arranjo clássico de piano e cordas.

Na valsa “Luar de prata”, Arantes faz dueto com Mônica Salmaso e remete a referências de Ernesto Nazareth e Francis Hime, com flautas de Teco Cardoso que remetem a Pixinguinha. A faixa é apontada como um dos pontos altos do disco.

O repertório inédito ainda inclui “Minúcias”, cujo refrão intenso acentua a força romântica que permeia o álbum. Em “Intergaláctica: missão”, o compositor aproxima timbres etéreos a letras que celebram o amor, enquanto “No mel dos seus olhos” mistura elementos do pop dos anos 1980 e da MPB dos anos 1990, mas sem alcançar o impacto das demais canções.

Arantes revisita ainda seu passado com “Enredo de romance”, que evoca o pop que ele mesmo definiu entre o fim dos anos 1970 e o começo dos anos 1980. Na sequência, “50 anos-luz” resgata o clima progressivo da fase Moto Perpétuo (1973–1975), e empresta o nome à turnê comemorativa que estreia em março.

O disco também revisita composições anteriores em novos arranjos. “O prazer de viver para mim é você” surge em versão solo – após ter sido lançada em 2024 com Claudette Soares – e em instrumental que ressalta a melodia. Em contraste, “Puro sangue (Libelo do perdão)” e “Toda felicidade” perdem parte da força das gravações originais, respectivamente de Gal Costa e do grupo Boca Livre.

Imagem: Leo Aversa / Divulgação

Entre os destaques das regravações, “Berceuse”, interpretada originalmente por Alaíde Costa, ganha releitura com piano e cordas sob regência de Jaques Morelenbaum, inspirada na obra de Gabriel Fauré.

Mais coeso que o álbum anterior, “A desordem dos templários” (2021), Interdimensional ultrapassa uma hora de duração, com faixas que frequentemente passam de quatro minutos. Sem buscar modernidade a todo custo, Guilherme Arantes reafirma sua trajetória como um dos nomes mais duradouros da música brasileira.

Com informações de G1