De fábrica de ração ao confinamento: família Manfrim mira 22 mil bovinos em Mato Grosso do Sul

Projeto da MEN Agronegócios parte de 8 mil cabeças e usa genética, silagem e brinco 4G para escalar produção a partir de 2027

O grupo que fabrica ração para pets quer transformar pasto em operação de grande escala. Hoje a MEN Agronegócios reúne cerca de 8 mil bovinos em 14 mil hectares no Mato Grosso do Sul. O plano é ambicioso: criar uma estrutura de confinamento com 22 mil animais em capacidade estática, rodando três ciclos ao ano — e dar o primeiro passo em 2027, com 2 mil vagas em Nova Alvorada do Sul.

Como o plano vai sair do papel

A expansão será gradual. A primeira fase começa com um módulo inicial para 2 mil animais, projetado para operar o ano todo. A ideia é ampliar sistema por etapas até alcançar a capacidade prevista. A família, que tem no controle a Special Dog Company — fabricante de alimentos para cães e gatos — já destina recursos e terras ao projeto dentro do portfólio do Grupo Manfrim, cujo faturamento consolidado ultrapassa R$ 2 bilhões.

Tecnologia que monitora o rebanho em tempo real

Entre as apostas está a adoção de conectividade privada e dispositivos IoT. Em uma das fazendas foi instalada uma rede 4G privativa e adotados brincos eletrônicos que transmitem dados em tempo real. A tecnologia promete não só acompanhar movimentos e saúde dos animais, mas também oferecer rastreabilidade e até mecanismos para facilitar crédito rural, com registro imutável da localização e histórico do animal.

O uso da solução será apresentado publicamente no MPN Forum, em São Paulo, onde o diretor da MEN e o parceiro tecnológico vão detalhar a aplicação da rede privativa na pecuária — um exemplo de como telecomunicações e agro se aproximam para operar grandes áreas com mais segurança e controle.

Genética e redução da idade de abate

Parte do salto produtivo vem do melhoramento genético. Há sete anos o grupo intensificou um programa de seleção que hoje conta com 1.200 matrizes trabalhadas por inseminação artificial em tempo fixo. O resultado prático se traduz em animais mais precoces: onde antes o abate ocorria entre 30 e 36 meses, a propriedade já registra lotes terminados aos 20 meses com rendimento semelhante em arrobas.

O rebanho base permanece em grande parte Nelore — opção pela adaptação ao clima e resistência —, mas a estratégia combina seleção interna e cruzamentos quando conveniente para elevar desmama e ganho de peso.

Alimentação e logística do confinamento

O projeto de engorda terá como base volumoso produzido nas fazendas: a silagem será o principal alimento, enquanto grãos e suplementos serão comprados no mercado regional. Entre os ingredientes disponíveis localmente está o DDG, coproduto das usinas de etanol de milho que crescem na região e é utilizado em dietas de confinamento.

Imagem: Ap

O modelo busca equilíbrio entre insumos próprios e compras externas, reduzindo riscos e controlando custos, segundo a direção da MEN Agronegócios.

Do campo ao mercado — e a ambição de marca própria

A operação é de ciclo completo: cria, recria, engorda e entrega animais para frigoríficos. A família mantém a intenção de, no futuro, consolidar uma marca própria de carne, com foco em genética reconhecida e práticas sustentáveis. A meta é transformar o negócio em uma cadeia rentável e com identidade própria no mercado de corte.

Além da pecuária, o grupo mantém há anos projetos de reflorestamento em São Paulo, com parte da madeira usada internamente e o excedente vendido a indústrias de celulose — um componente das operações que dialoga com sustentabilidade e diversificação.

O caminho à frente

A MEN Agronegócios entra numa fase de crescimento acelerado: em 2025 foram abatidos cerca de mil bovinos; a previsão para 2026 é chegar a 6 mil. Com tecnologia embarcada, genética selecionada e um plano de confinamento escalável, a família Manfrim busca transformar um braço rural em novo pilar do grupo — e testar se a combinação indústria-agro pode virar um motor autossustentável de negócios.