A Hermès divulgou nesta temporada resultados referentes ao segundo trimestre do ano, informando receita de 4,09 bilhões de euros entre abril e junho, o que representa um crescimento orgânico de 6,7% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar do avanço nas vendas, as ações da fabricante francesa de artigos de luxo chegaram a cair cerca de 11% na Bolsa de Paris após a publicação dos números.

Segundo a empresa, a alta nas vendas foi verificada na maior parte das regiões onde atua, com exceção do Oriente Médio, área afetada por tensões geopolíticas. Na região Ásia-Pacífico — que inclui a China e exclui o Japão — o aumento foi de apenas 2,5%, praticamente repetindo o ritmo observado no primeiro trimestre, conforme comunicado da Hermès.

Analistas do Citi observaram que os dados apresentados pela companhia não trouxeram indícios suficientes de uma recuperação consistente da demanda na China, mercado considerado chave para o setor de luxo global. A leitura do Citi reforça a percepção de que o consumo na China ainda não retornou a um patamar de recuperação sustentada.

Outras grandes maisones do setor demonstraram cautela em relação ao mercado chinês. Em relatório recente, a LVMH indicou que o ambiente de consumo no país permanece praticamente inalterado, sugerindo que a recuperação esperada para 2026 ainda não se concretizou.

Além das condições econômicas, a Hermès e suas concorrentes europeias enfrentam transformações estruturais no mercado chinês. Pesquisas da Bernstein apontam que fabricantes locais de artigos de couro têm ganhado espaço ao posicionar seus produtos entre as categorias premium e a moda de massa, ampliando a concorrência para marcas tradicionais do luxo internacional.

Hermès registra receita de 4,09 bilhões de euros no 2º trimestre, alta orgânica de 6,7%

Imagem: Divulgação

Diante do cenário econômico e geopolítico incerto, a Hermès reafirmou sua estratégia de longo prazo e manteve a projeção de crescimento das vendas a câmbio constante, destacando a continuidade do investimento na força da marca e na expansão global, segundo a própria companhia.

A companhia não divulgou alterações em suas orientações estratégicas e segue monitorando a evolução da demanda regional e global.

Com informações de Portalin