Transmissão: Record | Horário: 16h14 (Brasília UTC-3)

O Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira (10) em alta, renovando máximos pelo terceiro dia consecutivo e superando a marca dos 197 mil pontos pela primeira vez. O índice de referência da bolsa brasileira subiu 1,12%, fechando em 197.323,87 pontos, após atingir a máxima intradia de 197.553,64 pontos. A mínima do dia foi de 195.129,25 pontos. No balanço semanal, o Ibovespa registrou avanço de 4,93%.

O volume financeiro negociado na sexta somou R$ 33,7 bilhões. Investidores reagiram ao diálogo entre autoridades dos Estados Unidos e do Irã, cujas conversas estão previstas para começar em Islamabad, no Paquistão, a partir de sábado. O encontro ocorre poucos dias após o anúncio de um cessar-fogo em um conflito que teve início no fim de fevereiro com ataques envolvendo EUA, Israel e Irã e que se espalhou por várias frentes no Oriente Médio.

Embora ainda haja incertezas sobre um desfecho definitivo, a percepção dominante entre agentes de mercado tem sido de busca por um caminho para redução das tensões, o que tem sustentado um movimento de apetite por risco. Segundo relatório assinado por Emy Shayo e Cinthya Mizuguchi, Shayo, co-head de estratégia de ações de mercados emergentes e chefe de estratégia para América Latina e Brasil, afirmou que, caso a trégua se mantenha, o Brasil tende a continuar apresentando bom desempenho.

A avaliação do relatório também aponta para uma rotação setorial, com retomada de liderança por segmentos que mais sofreram desde o início do conflito, em particular o setor financeiro.

No front doméstico, o IPCA de março subiu 0,88%, acima da mediana das estimativas (0,77%), movimento que foi destacado por analistas. Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, observou que a leitura do índice dificulta a atuação do Copom no curto prazo e que parte da surpresa veio de itens relacionados a combustíveis, impactados diretamente pelos choques nos preços do petróleo. Perri acrescentou que, com eventual normalização dos preços do petróleo em consequência de um acordo de paz, seria razoável esperar reversão desses efeitos no IPCA.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo registraram queda na sexta e tiveram a maior retração semanal desde 2022, em meio às negociações entre Irã e EUA visando a um cessar-fogo permanente. Os futuros oscilaram perto de US$ 100 por barril enquanto ataques ainda ocorriam e o fluxo pelo Estreito de Ormuz permanecia restrito; preços no mercado físico chegaram a níveis recordes.

O Brent fechou em queda de US$ 0,72 (-0,8%), a US$ 95,20 por barril, acumulando baixa de 12,7% na semana. O contrato West Texas Intermediate (WTI) recuou US$ 1,30 (-1,3%), para US$ 96,57 o barril, com perda semanal de 13,4%. O declínio ocorreu após forte venda depois que Irã e EUA concordaram, na terça-feira, com um cessar-fogo de duas semanas mediado pelo Paquistão.

Imagem: Getty ImagesBolsa renovou recorde no pregão desta sexta-feira

Dólar

O dólar à vista encerrou em queda de 1,03%, cotado a R$ 5,0104, mantendo-se próximo dos R$ 5,00 e registrando o menor fechamento desde 9 de abril de 2024 (R$ 5,0067). Foi a terceira sessão seguida de perdas para a moeda norte-americana. Na semana, a divisa acumulou baixa de 2,90% e, no ano, queda de 8,72%.

Desde o acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã, anunciado na noite de terça-feira, o dólar tem recuado globalmente com investidores desmontando posições defensivas. No pregão brasileiro, o menor valor intradiário foi R$ 5,0051, registrado às 16h14 (Brasília UTC-3).

Em nota enviada a clientes, José Faria Júnior, diretor da consultoria Wagner Investimentos, apontou que a redução da aversão ao risco e o recuo do índice DXY para patamar abaixo de 100 contribuíram para a valorização do real nos últimos dias, aproximando a moeda brasileira de sua maior cotação do ano. Ele acrescentou que o dólar ainda tem espaço para desvalorizar um pouco mais, dependendo do comportamento do DXY. Às 17h10, o índice do dólar caía 0,21%, a 98,669.

O mercado segue acompanhando o desdobrar das negociações internacionais e os indicadores macroeconômicos domésticos para orientar posições nos próximos pregões.

Com informações de Forbes