O Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira em alta, impulsionado por dados de inflação dos Estados Unidos abaixo do esperado, que reforçaram o apetite por risco nos mercados. O índice subiu 0,51%, a 176.641,10 pontos, tendo registrado máxima de 177.179,10 pontos e mínima de 175.742,87 pontos. O volume financeiro do pregão foi de R$ 22,1 bilhões.
Investidores reagiram ao recuo do índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA, que caiu 0,4% em junho ante maio e aumentou 3,5% na comparação anual, segundo o Departamento do Trabalho — leitura inferior às projeções da Reuters, que apontavam queda de 0,1% no mês e alta de 3,8% em 12 meses. Na esteira desses números, o rendimento do título do Tesouro americano de dez anos recuou para 4,5874% no final do dia, ante 4,61% na véspera, e o S&P 500 avançou 0,38% em Nova York.
Profissionais do mercado disseram que a surpresa dos dados americanos levou a uma reavaliação das probabilidades sobre os próximos passos do Federal Reserve. Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, afirmou que a bolsa paulista refletiu o noticiário sobre a inflação nos EUA. Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, destacou que o resultado contribuiu para melhorar as perspectivas sobre a política monetária americana, favorecendo ativos de maior risco. Analistas do Bradesco apontaram que o CPI de junho tende a dar alívio ao Fed no curto prazo e deixá-lo em posição de espera.
Destaques por ação
Vale ON avançou 1,59%, apoiada pela alta dos contratos futuros de minério de ferro na China; a mineradora informou ter avaliado, sem prosseguir com a transação, uma oportunidade de investimento em ativo de minério de ferro em Corumbá (MS). CSN Mineração ON caiu 6,42% após sequência de oito sessões de valorização.
Petrobras PN terminou estável, após oscilações intradiárias, enquanto o barril do Brent subiu 1,2% no dia. Brava ON subiu 6,49% em sessão marcada pela expectativa de reunião da CVM sobre a OPA da Ecopetrol.
No setor financeiro, Itaú Unibanco PN subiu 0,25%; Bradesco PN recuou 0,75%; Santander Brasil Unit caiu 0,11%; Banco do Brasil ON subiu 1,73%; e BTG Pactual Unit avançou 0,75%.
Hapvida ON valorizou 6,98%, mantendo recuperação em julho, embora o Citi mantenha visão cautelosa. Ultrapar ON caiu 2,65% em sessão com leilão de bloco de ações, após o fundo canadense CPPIB zerar posição em operação de R$ 1,3 bilhão. Totvs ON recuou 1,71% diante de alertas da IBM sobre a realocação de orçamentos para infraestrutura de TI.
Entre empresas fora do Ibovespa, Oncoclínicas ON subiu 26,32% após protocolar pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas; há notícias sobre proposta da IG4. Jalles Machado ON avançou 5,39% após resolução do CNPE elevar temporariamente a mistura obrigatória de etanol anidro de 30% para 32%.
Imagem: gráfico econômico
Petróleo
Os preços do petróleo subiram cerca de 2%, atingindo a maior cotação em um mês, com o Brent a US$ 84,73 por barril (alta de US$ 1,43, ou 1,7%) e o WTI a US$ 79,34 (alta de US$ 1,20, ou 1,5%). O movimento ocorreu após renovos confrontos entre EUA e Irã e o restabelecimento de bloqueio naval americano ao Estreito de Ormuz, rota que antes do conflito respondia por cerca de 20% do abastecimento global de petróleo.
Dólar
O dólar à vista fechou em queda de 1,12%, a R$ 5,07, menor cotação de fechamento desde 15 de junho (R$ 5,06). No ano, a moeda acumula desvalorização de 7,56% frente ao real. Às 17h04 (Brasília UTC-3), o dólar futuro para agosto, o contrato mais líquido na B3, cedia 1,15%, cotado a R$ 5,10.
O núcleo de inflação dos EUA, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, ficou estável em junho e subiu 2,6% em 12 meses, abaixo dos 2,9% anteriores, leitura que reduziu apostas por aumentos de juros pelo Fed e enfraqueceu o dólar frente a outras moedas. Lucca Bezzon, analista da Stonex, avaliou que o resultado diminui a probabilidade de alta de juros no curto prazo e reduz a atratividade dos títulos do Tesouro americano. Matheus Massote, especialista da One Investimentos, destacou que não vê elementos para manter o dólar sustentadamente abaixo de R$ 5,10, citando projeções do boletim Focus.
O boletim Focus, divulgado na segunda-feira, trazia mediana de R$ 5,20 para o dólar no fim de 2026 e R$ 5,28 para o final de 2027. No exterior, investidores também monitoraram o conflito entre EUA e Irã e a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz. Às 17h12, o índice do dólar caía 0,35%, a 100,920. No fim da manhã, sem impacto visível nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem com vencimento em 3 de agosto.
As negociações encerraram com a Bolsa e o câmbio refletindo tanto o alívio decorrente de dados de inflação doméstica nos EUA quanto as incertezas geopolíticas que pressionaram os preços do petróleo.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6