O Ibovespa fechou em queda de 1,23% nesta quinta-feira (6), aos 175.546,36 pontos, pressionado pela perspectiva de que os juros permanecerão elevados no Brasil e pela reação dos investidores aos resultados corporativos do segundo trimestre. No mercado de câmbio, o dólar recuou 0,44%, para R$ 5,1055, enquanto o petróleo Brent subiu 3,83% em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio.
Na véspera, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, mas não sinalizou continuidade do ciclo de cortes para a reunião de setembro. No comunicado, o Banco Central apontou “significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base” e afirmou que manterá a “restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o Copom teve um tom mais duro ao avaliar o processo de desinflação e evitou comprometer-se com novos cortes. “Essa cautela sinaliza que os juros no Brasil devem permanecer em patamares elevados por mais tempo”, declarou.
O índice brasileiro encerrou a sessão próximo da mínima do dia, em 175.514,86 pontos, e atingiu máxima de 177.720 pontos durante o pregão. Nos Estados Unidos, o S&P 500 recuou 0,18% em sessão marcada pela divulgação de balanços e pela busca de sinais sobre as negociações entre Washington e Teerã.
Dólar cai na contramão do exterior
O dólar à vista finalizou o dia cotado a R$ 5,1055, acumulando desvalorização de 6,99% em 2026. A moeda norte-americana chegou a R$ 5,1295 na máxima e caiu a R$ 5,0903 na mínima. O movimento ocorreu apesar da redução da Selic e da valorização do dólar no exterior: o índice DXY avançava 0,31% ao fim da tarde.
Apesar de a taxa brasileira ainda superar com folga os juros vigentes nos Estados Unidos e no Japão, a expectativa de novos cortes na Selic e a possibilidade de alta dos juros norte-americanos podem reduzir o diferencial de taxas, um dos fatores que vinha sustentando a entrada de recursos no país. Nesta quinta-feira, contudo, prevaleceu o fluxo comercial. “O dólar está ganhando ante alguns pares do real no exterior, se recuperando ante as divisas emergentes, mas no Brasil a gente vê queda. Temos exportadores vendendo moeda”, afirmou Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora.
O Banco Central também realizou venda de 50 mil contratos de swap cambial para rolar o vencimento de setembro, operação que não teve impacto relevante nas cotações.
Petróleo dispara com ameaça ao Estreito de Ormuz
Os contratos futuros do petróleo Brent avançaram US$ 3,04, ou 3,83%, para US$ 82,49 por barril. O WTI, referência nos Estados Unidos, subiu US$ 2,07, ou 2,75%, para US$ 77,29.
A alta foi motivada pela notícia divulgada pela agência iraniana Fars de que uma comissão do Parlamento do Irã analisa um projeto para proibir a entrada de embarcações dos Estados Unidos, de Israel e de outros países considerados hostis no Estreito de Ormuz, com previsão de multas de até 20% do valor das cargas transportadas pelos infratores. Antes do conflito, cerca de um quinto do abastecimento diário mundial de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo estreito.
“Os operadores de petróleo continuam focados nos acordos entre os EUA e o Irã, e quanto mais demorarem, mais os preços voltarão a subir”, afirmou Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial. As tensões cresceram após o Irã alertar países do Golfo Pérsico de que um novo ataque dos Estados Unidos provocaria retaliações contra infraestruturas energéticas na região. Irã e Omã apresentaram uma proposta para encerrar o conflito, sem manifestação pública do governo norte-americano.
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Além disso, os houthis do Iêmen disseram ter atacado posições sauditas em Marib e Hadramout com mísseis e drones. “Os episódios reforçam o risco de interrupções tanto no Golfo Pérsico quanto nas rotas do Mar Vermelho”, afirmou John Kilduff, sócio da Again Capital.
Balanços movimentam a Bolsa
Os papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4) recuaram 1,94%, apesar do banco ter registrado lucro de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre, avanço anual de 16,2% e resultado em linha com as estimativas. O desempenho mostrou melhora da rentabilidade e expansão do crédito, mas a instituição espera desaceleração da carteira no segundo semestre. O Banco do Brasil (BBAS3) caiu 3,66%.
A Petrobras (PETR4) avançou 0,48%, interrompendo sequência de três quedas antes da divulgação do balanço trimestral, beneficiada pela forte valorização do petróleo. A Brava Energia (BRAV3) cedeu 4,78% após investidores repercutirem lucro trimestral de R$ 871 milhões e o resultado da oferta pública que permite à Ecopetrol assumir o controle da companhia.
A Vale (VALE3) perdeu 1,66%, acompanhando outras mineradoras no exterior. Na China, o contrato mais negociado do minério de ferro na Bolsa de Dalian subiu 2,57%, para 719 iuanes, equivalentes a US$ 106,54 por tonelada. A Axia Energia (AXIA3) recuou 1,01%, apesar de reportar lucro de R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre, alta anual de 9,5%, e aprovar o resgate de 37,2 milhões de ações preferenciais classe C em operação de R$ 2 bilhões.
A maior queda entre os destaques foi a Smart Fit (SMFT3), que despencou 7,82% após apresentar números abaixo das expectativas: lucro líquido recorrente de R$ 204 milhões e receita com crescimento de 22%. No lado positivo, a Braskem (BRKM5) avançou 3,07%, poucos dias depois de atingir a menor cotação intradiária desde 2010; a petroquímica divulgará os resultados do segundo trimestre na próxima semana.
Nos Estados Unidos, as ações do Mercado Livre (MELI) recuaram 4,81%, apesar da companhia ter registrado lucro líquido de US$ 466 milhões, acima das projeções. A receita alcançou US$ 10,2 bilhões, com crescimento de 50%, o maior em quatro anos, enquanto analistas do Citi apontaram como principal decepção a margem bruta de 40,9%.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6