O Ibovespa encerrou a sessão de quinta-feira (23) em queda, influenciado pelo clima de aversão ao risco nos mercados globais em razão das incertezas sobre o desfecho do conflito no Oriente Médio. O índice recuou 0,78%, para 191.378,43 pontos, com mínima do dia em 190.929,82 e máxima em 193.346,63, e volume financeiro de R$ 24,9 bilhões.

Os ativos locais foram pressionados após a notícia de que o Irã capturou dois navios no Estreito de Ormuz na quarta-feira, além de episódios de tensão entre os governos americano e iraniano. A abertura de espaço para retomada de hostilidades e a intensificação do controle iraniano sobre a rota elevaram o preço do petróleo e mantiveram as bolsas americanas em queda: o S&P 500 recuou 0,41%, para 7.108,40 pontos.

Especialistas do mercado apontaram que a volatilidade global e declarações das partes envolvidas nas negociações contribuíram para a correção local. Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, disse que a bolsa brasileira acompanhou a forte reversão observada nos Estados Unidos durante o pregão, após sinais de que um cessar-fogo poderia ruir e bombardeios serem retomados.

Setores e papéis

O setor financeiro puxou perdas: ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,89%, BRADESCO PN recuou 2,16% e SANTANDER BRASIL UNIT teve baixa de 0,83%. BANCO DO BRASIL ON recuou 1,71%; durante o BB Day, o vice-presidente de Gestão Financeira do banco, Geovanne Tobias, afirmou que a instituição ainda avalia se a recuperação das renegociações de crédito no agronegócio terá formato em “U” ou em “W”, depois de o setor ter sido o principal fator negativo para os resultados no ano anterior.

VALE ON registrou queda de 1,43%, em linha com os contratos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou com baixa de 0,32%, a 783,5 yuans (US$ 114,70) por tonelada.

Petróleo e geopolítica

Os contratos futuros do petróleo chegaram a subir cerca de US$ 5 por barril na sessão, em reação a relatos sobre operações de defesa aérea em Teerã e disputas internas entre ala dura e moderada do Irã, embora os ganhos tenham sido reduzidos ao fim do pregão. O Brent fechou a US$ 105,07 por barril, alta de US$ 3,16 (3,1%), e o WTI terminou a US$ 95,85, com aumento de US$ 2,89 (3,11%).

Há também informações de que o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, deixou a equipe responsável por conversas indiretas com os EUA, movimento interpretado como vitória para os setores mais duros do governo de Teerã. Relatos indicaram ainda disparos das defesas aéreas em Teerã e ataques de drones contra opositores curdos em uma base no Iraque.

Fontes informaram que o Irã exibiu um vídeo de comandos abordando um grande navio de carga no Estreito de Ormuz e que os Estados Unidos mantiveram ações navais na região. Autoridades americanas afirmaram ter interceptado pelo menos três petroleiros de bandeira iraniana em águas asiáticas, redirecionando-os para longe de áreas próximas à Índia, Malásia e Sri Lanka.

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Dados da empresa Vortexa mostraram que, entre 13 e 21 de abril, cerca de 10,7 milhões de barris de exportações de petróleo bruto iraniano atravessaram o estreito, apesar do bloqueio naval dos EUA. O tratamento da passagem permanece restrito: antes do conflito, a rota concentrava aproximadamente 20% do abastecimento mundial diário de petróleo.

Dólar

No mercado cambial brasileiro, o dólar à vista virou para alta durante a tarde e fechou em R$ 5,0046, avanço de 0,62%. Às 12h14 (Brasília UTC-3) a moeda registrou a mínima do dia, R$ 4,9400 (-0,68%), e mais tarde alcançou a máxima de R$ 5,0182 (+0,90%) às 16h36. Desde 10 de abril a divisa norte-americana não fechava acima de R$ 5,00. No acumulado do ano, o dólar acumula queda de 8,82% ante o real.

Analistas ressaltaram que a alternância de notícias — desde extensões do cessar-fogo até ameaças de ação militar — tem jogado as cotações e os preços de petróleo para cima e para baixo, elevando o grau de incerteza entre investidores e operadores.

O mercado segue atento a novos desdobramentos diplomáticos e militares na região, que podem alterar expectativas sobre oferta de petróleo e risco global, com impacto direto sobre ações, câmbio e commodities.

Com informações de Forbes