O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (22), ultrapassando os 177 mil pontos impulsionado por valorização de blue chips como Vale e Petrobras e pelo salto das ações da Weg após a divulgação do balanço do segundo trimestre. O índice avançou 2,44%, terminando o dia em 177.547,57 pontos; durante o pregão oscilou entre mínima de 173.328,05 e máxima de 177.641,24. O volume financeiro negociado somou R$ 22,75 bilhões.

Após cinco sessões de desempenho contido, a bolsa retornou ao terreno positivo em meio a notícias corporativas e fluxo de investidores estrangeiros em busca de oportunidades, segundo participantes do mercado.

A Vale foi destaque ao informar que registrou o maior volume de produção de minério de ferro para um segundo trimestre desde 2018. A estatal participou da valorização do índice junto com a Petrobras, que foi beneficiada pela alta do petróleo no exterior, pressionada por preocupações sobre oferta em razão da intensificação das hostilidades entre Estados Unidos e Irã.

A Weg liderou os ganhos do Ibovespa, com alta de 10,05%, depois de reportar lucro líquido de R$ 1,56 bilhão no segundo trimestre e Ebitda de R$ 2,21 bilhões, cifras ligeiramente acima das estimativas do mercado, segundo a LSEG. A Vale avançou 3,96% após a divulgação de seu relatório de produção, mesmo com o contrato de minério de ferro negociado em Dalian recuando 1%, a US$ 109,19 por tonelada.

No setor de energia, os papéis da Petrobras registraram ganhos: PETROBRAS PN subiu 2,21% e PETROBRAS ON avançou 2,39%, alinhadas à apreciação do petróleo no exterior. Os contratos futuros do Brent fecharam com alta de 3,36%, a US$ 94,07 o barril, após atingir US$ 95,47 durante o pregão. O WTI subiu 2,95%, para US$ 86,83.

Entre os bancos, o pregão foi majoritariamente positivo: Itaú Unibanco PN subiu 0,87%, Bradesco PN avançou 2,26%, Santander Brasil Unit teve alta de 0,68% e Banco do Brasil ON ganhou 1,01%.

Destaques setoriais

Telefônica Brasil ON recuou 1,17% e TIM ON caiu 2,43%, ficando entre as maiores quedas do índice um dia após a rival Claro divulgar alta no resultado operacional do segundo trimestre, com adições líquidas em banda larga fixa e crescimento na base pós-paga.

Petróleo

Os preços do petróleo atingiram o maior nível desde 11 de junho, motivados por temores de oferta relacionados às hostilidades entre Estados Unidos e Irã. As ações da milícia houthi no Iêmen, apoiada pelo Irã, e ameaças à navegação contribuíram para a alta. O spread temporal de três meses do Brent ampliou-se para US$ 9,26 por barril, o maior desde 22 de maio, aprofundando o fenômeno de “backwardation”.

As Forças Armadas dos EUA informaram que realizaram a 11ª noite consecutiva de ataques contra o Irã, e relatos apontaram interceptações de drones iranianos pelas defesas aéreas do Kuwait. O presidente Donald Trump declarou que os EUA “bombardeariam e destruiriam uma ponte ou usina de energia” caso Teerã atacasse um navio no Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que a rota sul do Estreito de Ormuz está minada. Além disso, os houthis anunciaram bloqueio naval à Arábia Saudita e ameaçaram atacar navios que transportam petróleo saudita no Estreito de Bab el-Mandeb.

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Autoridades da União Europeia alertaram que embarcações ligadas a Israel, Estados Unidos ou Arábia Saudita correm maior risco no Mar Vermelho e no Golfo de Aden, recomendando evitar essas rotas.

Dólar

O avanço do Ibovespa contribuiu para uma leve queda do dólar frente ao real, somada à desvalorização da moeda norte-americana ante outras divisas de mercados emergentes. O dólar à vista fechou em R$ 5,05, recuando 0,42% — o menor fechamento desde 2 de junho, quando esteve em R$ 5,00 — e marcando a terceira sessão seguida de baixa. No ano, a moeda acumula queda de 7,95% frente ao real.

Às 17h03 (Brasília UTC-3), o dólar futuro para agosto, atualmente o mais negociado na B3, caía 0,50%, a R$ 5,06. A abertura da B3 às 10h levou as cotações para o território negativo no câmbio, em linha com a firme alta do Ibovespa.

O cenário externo seguiu impactado pelo conflito no Oriente Médio, que mantém o transporte de petróleo e gás sob tensão. No campo comercial, entrou em vigor uma tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros nesta quarta-feira, medida que pode influenciar o fluxo de dólares para o país. Em resposta, o governo anunciou R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas afetadas, parte do Programa Brasil Soberano. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, afirmou em entrevista à rádio Bandeirantes que a adoção de medidas de reciprocidade será avaliada pelo governo e não se trata de vingança.

Na intervenção cambial, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto. Ainda segundo o BC, o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$ 189 milhões em julho até o dia 17.

Em Nova York, o S&P 500 fechou em baixa de 0,13% em sessão marcada pela cautela ante resultados de empresas de tecnologia. Entre os números divulgados, a Tesla teve fluxo de caixa livre negativo no segundo trimestre pela primeira vez em mais de dois anos, enquanto a receita de serviços em nuvem da Alphabet superou as estimativas de Wall Street.

O pregão terminou com o Ibovespa sustentado por ganhos de grandes empresas e influências externas sobre commodities e câmbio, sem indicação de desdobramentos imediatos além dos movimentos observados ao longo do dia.

Com informações de Forbes