A JBS completa neste sábado (13) um ano desde que passou a negociar suas ações na Bolsa de Nova York (NYSE). A mudança, que ocorreu após 18 anos de listagem na B3, decorreu de um processo que teve início com um IPO que ajudou a viabilizar a compra da americana Swift, marcando a entrada da família Batista nos Estados Unidos.
O objetivo anunciado pela companhia continua sendo a inclusão em índices relevantes dos EUA, o que abriria o caminho para receber aportes de fundos passivos, como ETFs atrelados a esses benchmarks. A expectativa é que esse fluxo possa reduzir o atual desconto da JBS em relação a concorrentes listadas nos índices americanos, como a Tyson Foods.
Quem, como e por que
Segundo o CFO Guilherme Cavalcanti, desde a listagem houve aumento das interações com investidores internacionais e maior presença física entre Nova York e São Paulo. A participação de investidores estrangeiros nas ações passou de 72% antes da estreia para 90% atualmente, com investidores americanos representando 74% desse total.
Para ser elegível aos principais índices norte-americanos, a JBS precisa cumprir critérios como ter mais da metade da receita oriunda dos Estados Unidos e apresentar diferença mínima de 20 pontos percentuais em relação ao segundo maior mercado. A empresa informa que 52% da receita anual de US$ 86,2 bilhões vem dos EUA, enquanto o Brasil responde por 26%.
Entrando nas carteiras
A JBS já apareceu na prévia do Russell 3000, etapa inicial da família Russell, e mira a inclusão no Russell 1000, que reúne as mil maiores empresas por valor de mercado. Hoje, a companhia tem market cap de US$ 13,1 bilhões, segundo o levantamento citado.
Analistas do Citi estimam demanda passiva imediata entre US$ 210 milhões e US$ 300 milhões caso a JBS entre no Russell 3000, e fluxo adicional de US$ 1 bilhão a US$ 4 bilhões ao longo de um a dois anos conforme ETFs e gestores ajustem posições. A entrada no S&P 500, por sua vez, exige valor de mercado mínimo de US$ 22,7 bilhões e um valor de mercado ajustado pelo capital em circulação de pelo menos metade desse piso (cerca de US$ 11,35 bilhões). Atualmente, o free float da JBS corresponde a aproximadamente US$ 4,3 bilhões, já que cerca de 33% das ações estão em circulação — a J&F detém cerca de 48% e o BNDESPar 18,61%.
Efeitos do primeiro ano
A listagem na NYSE elevou a liquidez média diária das ações, que, segundo o Citi, passou de cerca de US$ 37 milhões para US$ 115 milhões. Houve também mudança na percepção de mercado: antes da estreia a ação negociava a 4,5 vezes o Ebitda projetado para os próximos 12 meses; atualmente o múltiplo aproxima-se do praticado pela Pilgrim’s, subsidiária americana.
Imagem: Divulgação
Mesmo com desempenho operacional superior em várias frentes, a JBS ainda vale menos na bolsa que a Tyson — a JBS tem, conforme o texto, entre US$ 13,1 bilhões e os citados US$ 13,5 bilhões de capitalização, contra cerca de US$ 20 bilhões da americana — em parte devido à presença destas nos grandes índices.
A presença na NYSE também reduziu o custo da dívida: o spread dos títulos de dez anos frente aos da Tyson caiu de cerca de 3 pontos percentuais em 2019 para 0,2 ponto. Em abril, a JBS passou a ser reconhecida pela SEC como emissor frequente bem conhecido (WKSI).
Apesar das vantagens, o grupo enfrenta desafios operacionais nos EUA. No primeiro trimestre do ano, o negócio de carne bovina nos Estados Unidos teve prejuízo operacional, e o lucro consolidado caiu 56%, para US$ 221 milhões, pressionado pela escassez de gado naquele país. O presidente-executivo da JBS USA, Wesley Batista Filho, afirmou na teleconferência de resultados que espera 2026 “um ano mais desafiador que 2025” e classificou o início do ano como um dos períodos mais difíceis da história recente da empresa.
Após a divulgação dos resultados, as ações passaram de aproximadamente US$ 18 por papel para cerca de US$ 12, abaixo dos US$ 13,87 registrados um ano antes.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6