Nova York — Um aumento no interesse de jovens por carreiras na construção civil tem levado candidatos a formar filas em frente a escritórios sindicais para se inscrever em programas de aprendizagem, segundo relatos de participantes e organizadores.

Em um episódio relatado no Queens, um grupo de amigos foi ao sindicato de isolantes térmicos na noite anterior à abertura das inscrições. Às 17h30 (Brasília UTC-3), eles já estavam na fila, abrigados por uma barraca devido à garoa que caía de manhã. O grupo buscava uma das vagas oferecidas por um programa de vários anos que combina treinamento prático e mentoria.

De acordo com candidatos no local, a procura tem sido motivada por perspectivas fracas no mercado de trabalho, custos crescentes do ensino superior e preocupações sobre o impacto da inteligência artificial em empregos tradicionais. Um candidato de 29 anos comentou que vê nos ofícios técnicos uma proteção contra automação, enquanto outro de 25 anos organizou amigos que trabalhavam juntos em uma loja da T-Mobile para irem ao sindicato.

Em uma distribuição recente, o sindicato ofereceu 100 fichas para a inscrição, correspondente a cerca de 15 vagas, e esgotou as fichas cerca de uma hora após o início da distribuição. Um coordenador afirmou que, no ano anterior, havia fichas disponíveis por dias, o que mostra a mudança no nível de demanda.

Organizações sindicais e diretores nacionais reportam aumento do interesse em todo o país. Em Nova York, o sindicato local de ferreiros registrou crescimento de 20% no número de candidatos nos últimos dois anos, enquanto os ofícios de acabamento tiveram alta de 50% entre 2023 e 2024. Movimentos e contas nas redes sociais, como Workers Club NYC, têm divulgado datas e locais de inscrições, atraindo um público mais jovem — muitos candidatos agora têm cerca de 20 anos e há um número notável de interessados saindo diretamente do ensino médio.

Dados citados no relato indicam que o mercado para recém-formados está mais fraco: anúncios de vagas para iniciantes em Nova York caíram 37% de 2022 para 2024. Pesquisas acadêmicas recentes, incluindo estudos da Universidade de Harvard e da Universidade de Stanford, apontam que jovens percebem risco da automação e que houve quedas no emprego entre trabalhadores jovens em ocupações mais expostas à tecnologia.

Os ofícios manuais são vistos como menos suscetíveis à automação e oferecem remuneração e benefícios competitivos. Em alguns programas sindicais, salários iniciais para formados podem chegar a cerca de US$ 100.000 por ano. Jovens que ingressam em aprendizados destacam também a combinação de formação prática e estabilidade, além de benefícios como plano de saúde.

Imagem: Ap

O governo municipal de Nova York planeja criar 30.000 aprendizados adicionais até 2030 para atender à demanda de projetos avaliados em US$ 7 bilhões sob acordos sindicais. Participantes de programas relatam orgulho profissional e sensação de pertença ao verem construções na cidade nas quais trabalharam.

Para muitos candidatos, a aprendizagem representa uma alternativa à faculdade e ao mercado de trabalho instável, oferecendo um caminho com treinamento estruturado e perspectivas de carreira em áreas técnicas.

Com informações de Infomoney