O cantor Julio Iglesias, de 82 anos, enfrenta acusações de agressão sexual e de envolvimento em tráfico humano feitas por duas ex-funcionárias. As denúncias foram reveladas após uma investigação conjunta da emissora Univision Noticias e do site elDiario.es, que durou três anos e reuniu relatos de 15 integrantes antigos da equipe do artista.

Quem: Duas mulheres identificadas apenas como “Rebecca” e “Laura” para preservar suas identidades. Elas trabalharam para Iglesias em 2021 e afirmam ter sido vítimas de “toques inadequados, insultos e humilhações”.

O que: Segundo “Rebecca”, ao final do expediente, ela era convocada ao quarto do cantor, então com 77 anos, e submetida a contato físico sem consentimento, na presença de outra funcionária. “Laura” relata ter sido beijada na boca e apalpada contra sua vontade. Ambas declaram ter vivido um ambiente de assédio constante e controle rígido.

Como: As ex-funcionárias apontam que o recrutamento envolvia a exigência de fotos de rosto e do corpo inteiro. Após a contratação, perguntas invasivas sobre preferências sexuais também faziam parte do processo, segundo os relatos.

Quando: Os episódios teriam ocorrido em 2021, mas só vieram a público após a investigação de mais de três anos, durante a qual as denunciantes prestaram depoimentos consistentes em múltiplas ocasiões.

Onde: As acusações envolvem locais de trabalho ligados ao cantor na Espanha, mas detalhes sobre endereços e movimentações não foram divulgados pelas fontes.

O elDiario.es informa que há material de apoio às denúncias, como fotografias, registros de chamadas, mensagens de WhatsApp, vistos de trabalho e laudos médicos. Além disso, promotores espanhóis teriam aberto uma investigação preliminar para apurar as acusações.

Imagem: Instigação em andamento

Em resposta às tentativas de contato, Julio Iglesias não se manifestou. A produtora tentou comunicação por e-mail, telefone, carta e por meio de seu advogado, mas não recebeu retorno.

Em defesa do artista, uma ex-funcionária citada por “Rebecca” negou as acusações e afirmou ter “gratidão, admiração e respeito” por Iglesias, descrevendo-o como “humilde, generoso e respeitoso com todas as mulheres”. A presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, afirmou que “a região de Madri jamais contribuirá para o descrédito de artistas — e menos ainda quando se trata do mais universal de todos os cantores: Julio Iglesias.”

Já a ministra do Trabalho da Espanha, Yolanda Díaz, qualificou as declarações como “perturbadoras”, ressaltando que os relatos apontam para agressões sexuais e “situação de escravidão”.

O caso segue sob apuração das autoridades judiciais espanholas, sem previsão de conclusão imediata.

Com informações de Vagalume