A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, reconheceu nesta segunda-feira (22) que a atual alta de preços na zona do euro é relevante, mas afirmou que, por enquanto, não há indícios de que vá provocar uma desancoragem das expectativas inflacionárias de longo prazo ou efeitos indiretos preocupantes.
Em audiência perante uma comissão do Parlamento Europeu, Lagarde explicou que o BCE aumentou as taxas de juros neste mês depois que a inflação superou 3% e que os mercados agora avaliam a possibilidade de novas intervenções para impedir um afastamento prolongado da meta de 2% do banco.
Segundo a presidente, ela havia descrito previamente três cenários possíveis para a evolução dos preços e considera que a economia do bloco está transitando pelo cenário intermédio — um desvio “não muito persistente” — que demanda um ajuste moderado da política monetária. “Por enquanto, estamos no segundo caso”, afirmou Lagarde. “O choque é grande demais para ser ignorado sem comprometer nossa meta.”
Lagarde acrescentou: “Mas ainda não vemos indícios de desancoragem das expectativas de inflação ou de efeitos de segunda ordem que justifiquem uma resposta de política monetária mais enérgica nesta fase”. Ela também avaliou que o choque atual aparenta ser menos severo do que o episódio de 2021/22, quando o BCE elevou os juros em um ritmo recorde.
A dirigente observou que o pano de fundo econômico é diferente hoje, com um mercado de trabalho mais robusto, rendas mais altas e dificuldades de oferta vinculadas ao período pós-pandemia. Ainda assim, alertou para a necessidade de vigilância: a formação de salários pode estar mais sensível a novos choques, em razão da experiência recente com inflação elevada.
Imagem: Goncalo Fonseca/Bloomberg
Ao reafirmar a visão do BCE para o crescimento, Lagarde afirmou que os investimentos seguem estáveis, com destaque para gastos em inteligência artificial, e que as famílias mantêm balanços patrimoniais fortes, o que oferece algum amortecimento diante dos custos mais elevados de energia. “As perspectivas permanecem incertas, com riscos de alta para a inflação e riscos de queda para o crescimento econômico”, concluiu.
O tom das declarações busca conciliar a necessidade de evitar complacência com a avaliação de que, no momento, não há elementos que justifiquem um aperto monetário mais agressivo.
Com informações de Valor.globo

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6