O avanço da sofisticação do mercado financeiro brasileiro nos últimos anos é tema central do novo volume da série Fora da Curva, apresentado pela jornalista Giuliana Napolitano no podcast Stock Pickers, conduzido por Lucas Collazo. A obra, batizada de Fora da Nova Curva, revela como a meta de “bater o mercado” perdeu espaço para a prioridade quase unânime de proteger o capital.

Os depoimentos coletados mostram que, em ambiente cada vez mais competitivo, os gestores passaram a valorizar conhecimento especializado e leitura precisa dos perigos de cada operação. A estratégia de buscar retornos consistentes agora se sustenta menos em projeções assertivas sobre o futuro e mais na capacidade de atravessar períodos adversos sem comprometer a sobrevivência do fundo.

Especialização como diferencial

A jornalista destaca que o novo livro expõe um estágio distinto em relação aos volumes anteriores da série. “O mercado se sofisticou e os gestores se especializaram”, explicou Napolitano durante a conversa. Fundos antes restritos a ações ou multimercados dividiram espaço com estruturas focadas em infraestrutura, special situations e disputas judiciais (legal claims). Essa diversidade, segundo ela, ilustra a maturidade alcançada pela indústria local.

Entre os entrevistados, Daniel Goldberg, da Lumina Capital, resume o momento ao afirmar que não há mais espaço para depender apenas de inteligência superior: o retorno sustentável nasce do conhecimento único e da atuação em nichos pouco explorados. A mesma lógica inspira casas tradicionais que redirecionaram parte do patrimônio para estratégias altamente segmentadas.

Risco sob vigilância constante

Apesar das diferenças de abordagem, todos os profissionais consultados convergem em um ponto: a obsessão com o gerenciamento de risco. Personagens como André Jakurski defendem posições concentradas somente quando há forte convicção, mas sem permitir que uma aposta comprometa o patrimônio total. Já Léo Linhares resume o pensamento coletivo ao afirmar que “só os paranóicos sobrevivem”.

Napolitano lembra que o livro foi escrito em um momento de desconfiança dos investidores em relação à gestão ativa, contexto em que muitos preferiram títulos públicos ou ativos isentos. Para ela, entretanto, as trajetórias retratadas comprovam a habilidade desses profissionais em gerar resultados positivos ao longo de vários ciclos econômicos, justamente pela atenção permanente aos riscos.

Imagem: Ap

O volume também ajuda investidores a compreenderem oportunidades fora do eixo tradicional de ações e multimercados. Ao reunir exemplos de alocação em infraestrutura ou em disputas judiciais, a publicação amplia a percepção sobre formas de construir retorno em um mercado que se tornou mais técnico e complexo.





Sem romantizar acertos contínuos, as histórias evidenciam erros e perdas relevantes. A diferença, mostram os relatos, está na capacidade de aprender com os deslizes e manter o capital protegido o bastante para continuar no jogo. No cenário atual, a busca por performances espetaculares cede espaço a um mantra comum: antes de ganhar, é preciso não perder.

Com informações de Infomoney