A companhia aérea Lufthansa manifestou preocupação de que um eventual prolongamento do conflito no Oriente Médio possa pressionar para cima os preços do combustível de aviação. A avaliação foi apresentada por Grazia Vittadini, membro do Conselho de Administração responsável por Tecnologia, TI e Inovação, em entrevista ao jornal alemão Die Welt.

Segundo Vittadini, já há sinais de dificuldade no abastecimento de combustível em determinados aeroportos na Ásia. Ela advertiu que, à medida que o bloqueio do Estreito de Ormuz se estender, a segurança do suprimento de querosene pode se tornar cada vez mais comprometida.

O estreito, por onde passa quase um quinto do petróleo comercializado no mundo, está fechado desde o fim de fevereiro em decorrência da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O impedimento na passagem contribuiu para elevações nos preços de combustíveis globalmente, inclusive do querosene utilizado pela aviação.

Vittadini também destacou que as companhias aéreas contam com algum grau de proteção contra variações de preço. Segundo ela, cerca de 80% das necessidades de combustível da Lufthansa para este ano já estão cobertas por contratos de hedge, o que atenua parte dos impactos das flutuações nos valores do petróleo. Ainda assim, a executiva reconheceu que a aérea não está imune ao aumento nos custos do combustível.

O cenário descrito pela executiva aponta para duas frentes de risco: interrupções logísticas em pontos-chave de abastecimento e pressão sobre os orçamentos operacionais das companhias em função do repasse do aumento do querosene. A Lufthansa alerta que, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz continue, os efeitos sobre o abastecimento e os preços podem se intensificar.

Imagem: Ansa

Não foram informadas medidas específicas adicionais adotadas pela empresa além das coberturas já contratadas para 80% do consumo previsto no ano.

Com informações de Infomoney