Na terça-feira (13), Luísa Sonza apresentou ao público “Bossa Sempre Nova”, álbum em parceria com os veteranos Roberto Menescal e Toquinho. O disco, que leva nota 6,5/10 em avaliação publicada pelo G1, reúne 14 faixas clássicas da bossa nova e uma música inédita, “Um pouco de mim”, composta pela própria cantora.
O projeto surge como um movimento de reposicionamento artístico. Seguindo as convenções do gênero, o material traz a estética intimista da capa — com imagem à beira-mar — e arranjos assinados por Menescal no violão, além da colaboração de Toquinho em faixas como “Tarde em Itapoã” e “Diz que fui por aí”.
Entre os standards selecionados, figuram sucessos regravados inúmeras vezes, como “O Barquinho” e “Onde Anda Você”, além de canções menos difundidas, a exemplo de “Nós e o mar”. A única composição nova, “Um pouco de mim”, contrasta com o repertório consolidado, mas acaba ofuscada pela familiaridade das outras interpretações.
A voz de Sonza aparece mais natural do que nos projetos anteriores, deixando de lado o estilo inspirado no canto “americanizado”. A cantora demonstra domínio de nuances e detalhes, especialmente em “Carta ao Tom 74”, mas nem sempre resgata o charme original das canções. A versão de “Samba de Verão” soa contida, sem a leveza típica da melodia, e o dueto em “Águas de Março” não alcança o clima descontraído presente na gravação icônica de Elis Regina e Tom Jobim.
O repertório inclui ainda releituras de três faixas do clássico “Elis & Tom” (1974), referência declarada por Sonza. Embora o disco cumpra o papel de mostrar a cantora em um registro mais sofisticado, os arranjos mantêm-se conservadores e a seleção de repertório pouco arrisca caminhos inéditos.
Imagem: Pam Martins / Divulgação
“Bossa Sempre Nova” revela que Sonza possui técnica vocal adequada ao estilo, mas peca pela falta de inovação e de um propósito artístico claro além da homenagem. Ao seguir a cartilha tradicional do gênero sem propor releituras impactantes, o álbum mostra-se correto e bonito, porém carece daquele elemento de “bossa” que conquistou o público há mais de seis décadas.
Com informações de G1

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6