No auge da pandemia, quando o comércio eletrônico brasileiro cresceu com força, o debate central era quem se tornaria a “Amazon” do Brasil. Hoje, as três maiores varejistas do país — Magazine Luiza, Casas Bahia (Via Varejo) e Americanas (B2W) — revisaram suas estratégias e passaram a mirar o crescimento por meio de parcerias com plataformas internacionais.
O que mudou
A partir deste mês, o Magalu começou a vender na Amazon, movimento que se soma à iniciativa anterior da Casas Bahia de atuar na mesma plataforma. As mudanças ocorrem em um cenário marcado pela liderança do Mercado Livre — empresa argentina que responde por cerca de 40% das vendas online no Brasil — e pela entrada agressiva de concorrentes internacionais como Shopee e pela expansão do TikTok Shop.
Durante a expansão do marketplace, o Magazine Luiza chegou a ter 200 mil sellers em julho de 2022, ritmo que vinha crescendo a 10 mil novos vendedores por mês, ante 132 mil sellers da Americanas e 138 mil da Casas Bahia no mesmo período. O Magalu também ampliou seu portfólio por aquisições e manteve verticais com desempenho relevante: Kabum (R$ 5 bilhões de GMV), Netshoes (R$ 4 bilhões) e Época Cosméticos (R$ 1 bilhão).
Por que a estratégia mudou
O ambiente competitivo e o custo de capital influenciaram as decisões. A Shopee trouxe grande capacidade de queima de caixa; a Amazon acelerou operações locais; e o TikTok Shop passou a ganhar escala com descoberta por conteúdo. Com a taxa Selic acima de 10% ao ano desde 2022, manter operações que demandam subsídios tornou‑se inviável para empresas listadas, levando o Magalu a priorizar preservação de caixa, corte de operações não lucrativas e proteção de margens.
Na Americanas, o modelo online foi reavaliado após um rombo contábil de R$ 20 bilhões revelado em janeiro de 2023. A empresa entrou em recuperação judicial e emergiu com foco reforçado na loja física. Fernando Soares, que assumiu como CEO da Americanas em outubro de 2025, afirma que o online permanece, mas como canal complementar, com prioridade para vendas em datas comerciais relevantes.
A Casas Bahia, que não disputou protagonismo no e‑commerce e passou por reestruturação de passivos e troca de controle para a gestora Mapa Capital, optou por crescer vendendo em marketplaces de terceiros — Mercado Livre, Shopee e Amazon — sem investir pesadamente em plataforma própria. No quarto trimestre de 2025, o Mercado Livre respondeu por quase metade do crescimento do canal online da Casas Bahia, segundo a empresa.
Imagem: Divulgação
Parcerias e critérios
O Magalu também tem buscado acordos que atendam critérios internos de rentabilidade e reciprocidade, segundo Roberto Belíssimo, CFO do grupo. Entre as iniciativas está a parceria com o AliExpress — a primeira do Alibaba desse tipo no mundo — em que o Magalu vende produtos de tíquete alto e recebe em troca sortimento de baixo tíquete para gerar recorrência. Além da Amazon e do AliExpress, o Magalu já comercializa em canais de bancos e programas de fidelidade como Itaú, Inter, Nubank, Bradesco, Livelo e Smiles, e firmou parcerias comerciais com a Americanas.
As alianças também podem ampliar o alcance logístico: a Magalog opera cerca de 510 mil metros quadrados de galpões, e a parceria com a Amazon pode permitir escala e receitas com terceiros, objetivo semelhante ao da Casas Bahia com sua infraestrutura.
Executivos e consultores apontam que a tendência de concorrentes fechar acordos estratégicos reflete movimentos observados internacionalmente, em que ecossistemas optam por parcerias para crescer de forma mais rentável e menos intensiva em capital.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6