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Contratos longos e pagamentos antecipados
Desde 2026, a prática predominante tem sido a assinatura de acordos de longo prazo (LTAs) com duração entre três e cinco anos, condicionados a depósitos antecipados para assegurar que pedidos entrem em produção conforme cronograma. A Micron já firmou contratos quinquenais com 16 empresas, enquanto a Samsung afirma ter fechado fornecimento com as cinco maiores operadoras de data center do mundo e estar próxima de acertar com outras cinco, sem revelar nomes.
Esse modelo praticamente anula o mercado spot — em que fabricantes e consumidores poderiam comprar DRAM sob demanda — deixando compradores sem LTA à mercê do que restar. Estimativas setoriais apontam que a produção de 2027 atenderá apenas entre 60% e 70% da demanda projetada, com a folga restante só sendo liberada em 2028, quando novas fábricas, entre elas unidades da Samsung no Texas (EUA), devem aumentar a oferta global.
Demanda de IA e HBM consome grande parte da produção
A causa central do aperto é a demanda por servidores de IA e por HBM (High Bandwidth Memory). Cerca de 70% de toda a produção de DRAM está sendo direcionada para esses usos, deixando apenas 30% da capacidade para smartphones, notebooks e desktops. A preferênca por HBM é motivada por ganhos financeiros: 1 GB de HBM pode consumir até quatro vezes mais silício que 1 GB de DRAM convencional, e a margem de lucro em memória de alta performance é significativamente maior.
Entre abril e junho de 2026, a Samsung registrou lucro operacional de cerca de US$ 61,9 bilhões, impulsionado majoritariamente pela divisão de semicondutores, que também projeta triplicação da receita com chips HBM4 no terceiro trimestre. Ao mesmo tempo, a divisão de smartphones da empresa teve prejuízo de US$ 544 milhões no mesmo período, pressionada pelo aumento do custo dos componentes de memória.
Efeito nos preços e na cadeia de componentes
O aperto na oferta já elevou preços de peças: um kit básico de 32 GB DDR5 que custava cerca de US$ 80 no ano anterior chegou a US$ 439 em junho de 2026, alta superior a 400%. Relatório da Jefferies Equity Research projeta aumento de 40% a 50% na RAM já no terceiro trimestre de 2026 em relação ao período anterior, com novo salto de 30% a 40% previsto para o final do ano. Para 2027, a previsão é de elevação anual entre 40% e 45%, sem alívio até 2028, quando a expansão de capacidade deve ampliar a oferta entre 15% e 20%.
Imagem: Reprodução/SK hynix
O aperto também afeta placas de vídeo, semicondutores e placas-mãe, com previsões de alta de até 40% para GPUs. No Brasil, a combinação de câmbio e carga tributária tende a ampliar ainda mais o impacto nos preços ao consumidor.
A Samsung já indicou a investidores que a escassez deve se intensificar em 2027 e permanecer em condições apertadas até 2028, com grandes laboratórios de IA compartilhando projeções de demanda de médio e longo prazo diretamente com fabricantes, reforçando o poder de alocação das produtoras. Na prática, o mercado para 2027 se divide entre empresas que firmaram contratos de vários anos e manterão abastecimento, e compradores que ficaram de fora e terão de esperar por 2028 ou negociar no reduzido mercado spot.
Para consumidores que planejam montar ou atualizar equipamentos, a recomendação observada no setor é que postergar compras na expectativa de queda de preço pode resultar em custos ainda maiores no trimestre seguinte.
Com informações de Canaltech

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6