O conflito no Oriente Médio interrompeu a expectativa de cortes mais acentuados na taxa Selic em 2026 e reforçou a atratividade da renda fixa no cenário atual. A previsão inicial do mercado, apresentada no Boletim Focus de dezembro, apontava a Selic em torno de 12% no fim de 2026, mas choques externos mudaram essa trajetória.

Ao encerrar 2025 em 15%, com o CDI acumulado no ano em 14,32%, a Selic passou a ter menor espaço para flexibilização. O relatório Focus divulgado em 18 de maio reajustou a projeção para 13,25% ao final de 2026. Especialistas já consideram a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) interromper os cortes na reunião marcada para 16 e 17 de junho.

Renda fixa em destaque

Adrian Carvalho, planejador financeiro e CEO da Quartavia, avalia que 2025 foi um ano atípico para a renda fixa, com fundos DI, Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária entregando retornos reais positivos de forma consistente. Segundo ele, o impacto da guerra pressiona por mais tempo esse cenário favorável.

Planejamento como prioridade

Antes de ajustar a carteira por cenários macroeconômicos, Lenilson Vieira, planejador financeiro CFP pela Planejar, recomenda que o investidor defina objetivos, horizonte temporal, necessidade de liquidez e tolerância ao risco. Para Vieira, o macro influencia oportunidades, mas a alocação deve nascer do planejamento financeiro, evitando decisões motivadas apenas pelo desempenho recente dos ativos.

Carvalho afirma que a pergunta central é sobre a função da renda fixa no patrimônio: se for reserva de liquidez, o ideal é cobrir de seis a doze meses de custo de vida; se for preservação de capital em horizontes longos, depende de quanto do patrimônio precisa ser líquido; se for geração de renda, o percentual deve seguir a meta de renda desejada.

IPCA+ e diversificação

O choque no preço do petróleo no primeiro trimestre de 2026 respondeu por cerca de 60% da alta da inflação no período, o que desacelerou o ciclo de cortes da Selic e elevou o papel dos títulos indexados ao IPCA. Carvalho aponta que os papéis atrelados à inflação oferecem proteção estrutural contra inflação persistente e permitem capturar marcação a mercado caso a inflação recue.

Não existe um percentual único de renda fixa aplicável a todos: perfis conservadores costumam manter entre 70% e 90% em renda fixa; moderados, entre 50% e 70%; e arrojados, entre 20% e 40%. Para a reserva de emergência, Anderson Schlickmann, especialista em investimentos do Sistema Ailos, sugere de três a doze vezes o salário mensal, dependendo do grau de aversão ao risco — mais arrojados podem optar por três meses, muito conservadores por doze meses.

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A diversificação também é enfatizada: concentrar todo o patrimônio em um único indexador expõe o investidor a riscos de queda rápida da Selic ou de aceleração da inflação. Para investidores arrojados, manter uma base em renda fixa — normalmente entre 20% e 30% — com foco em títulos IPCA+ e instrumentos líquidos reduz a necessidade de liquidar posições em momentos desfavoráveis.

Cautela com crédito privado e isentos

O erro mais comum é optar por prazos longos e emissores de baixa qualidade apenas pela taxa mais elevada. Avaliar o emissor, a nota de crédito e a liquidez é essencial para que um ativo de renda fixa não se transforme em um investimento de risco.

O ajuste da carteira deve, portanto, combinar objetivos pessoais, horizonte e diversificação, aproveitando a janela de maior remuneração real que a manutenção dos juros elevados oferece.

Com informações de Borainvestir.b3