O agrônomo japonês Masanobu Fukuoka abandonou uma carreira científica de prestígio em 1938 para estabelecer uma prática agrícola sem arar, sem adubação química e sem pulverização na ilha de Shikoku. Ele passou a utilizar trevo e palha como base para o cultivo e desenvolveu o que chamou de agricultura natural.

Ao adotar esse método, Fukuoka enfrentou resistência e foi ridicularizado por setores do Japão, que chegaram a classificá-lo como tolo por substituir fertilizantes por coberturas de trevo e palha. Mesmo assim, manteve a prática e refinou o sistema que rejeitava manejo intensivo do solo e insumos químicos.

Quatro décadas após o início de sua experiência, as áreas cultivadas segundo seus princípios atingiram níveis de produtividade comparáveis aos das fazendas mais produtivas do país, segundo relatos sobre a evolução das lavouras. Além do reconhecimento prático, as ideias de Fukuoka alcançaram repercussão internacional: seu livro foi traduzido para mais de 25 idiomas.

O modelo de agricultura natural criado por Fukuoka também influenciou programas em outros países. Em particular, uma iniciativa baseada nesses princípios já alcançou 1,76 milhão de produtores na Índia, demonstrando a difusão e adaptação do método em contextos agrícolas diferentes do japonês.

O percurso de Fukuoka — da crítica inicial à validação por produção e difusão internacional de suas ideias — ilustra a trajetória de uma proposta agrícola alternativa que conquistou adesão prática e reconhecimento editorial ao longo das décadas.

Masanobu Fukuoka deixou carreira científica, adotou cultivo sem arar e foi criticado — 40 anos depois suas lavouras igualaram as mais produtivas e seu livro alcançou 25 idiomas

Imagem: Ap

O assentamento das técnicas de cultivo sem arar, com uso de trevo e palha como insumo principal, e a tradução do seu livro para dezenas de idiomas, consolidaram a contribuição de Masanobu Fukuoka para debates sobre práticas agrícolas sustentáveis.





Com informações de Clickpetroleoegas