O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça remeteu à Procuradoria-Geral da República (PGR) 39 pedidos de revogação de prisões vinculadas às investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O despacho foi proferido na terça-feira, 21 de abril.

Os alvos são investigados na Operação Sem Desconto, que apura cobranças indevidas nos benefícios de aposentados e pensionistas. Todas as solicitações que estavam sob análise no gabinete do ministro foram encaminhadas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que agora deve emitir parecer sobre cada pedido.

Delator e proposta de ressarcimento

O primeiro colaborador no caso é o empresário Maurício Camisotti. Em abril, em acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal, ele se comprometeu a devolver aproximadamente R$ 400 milhões. O montante foi apresentado a Mendonça, que, em análise preliminar, aceitou os termos do acordo. Os recursos apontados deverão ser destinados aos cofres públicos e aos aposentados que sofreram descontos indevidos.

Havia expectativa de que a PGR se posicionasse sobre a proposta por volta desta quarta-feira, 22 de abril.

Pedidos acumulados desde dezembro

Desde dezembro de 2025, o gabinete do ministro vinha recebendo pedidos de revogação de prisão de ao menos 14 investigados ligados à Operação Sem Desconto. A maior parte desses requerimentos permaneceu aguardando análise desde a apresentação.

Mendonça decidiu não entrar em recesso judicial no final do ano de 2025 para evitar que prisões por ele decretadas fossem revistas por ministros de plantão.

Mendonça envia 39 pedidos de revogação de prisão relacionados a fraudes no INSS à PGR

Imagem: ASCOM/STF

Alcance das fraudes

As apurações indicam que associações teriam feito descontos em benefícios sem a autorização dos titulares, oferecendo supostos serviços sem estrutura adequada. Os desvios, identificados entre 2019 e 2024, podem totalizar até R$ 6,3 bilhões. Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) mostrou que, em uma amostra de 1.273 beneficiários, 97% declararam não ter autorizado os descontos, muitos realizados com assinaturas falsificadas.

Prisões e redistribuição da relatoria

Entre os principais alvos presos estão o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o ex-presidente do INSS Alessandro Antônio Stefanutto, detidos preventivamente por determinação de Mendonça em novembro de 2025. Em dezembro, nova fase da operação levou à prisão do secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo da Cunha Portal.

Mendonça assumiu a relatoria das investigações criminais por sorteio, substituindo o ministro Dias Toffoli, em redistribuição solicitada pela PGR e acolhida pelo presidente do STF, Luís Roberto Barroso. O processo sob a relatoria de Mendonça reúne hoje três frentes principais: as fraudes no INSS, o caso do Banco Master e procedimentos relativos aos atos de 8 de janeiro.

Com informações de Conexaopolitica