O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta semana para definir o nível da Selic. Após seis decisões consecutivas mantendo a taxa básica em 15% ao ano, a expectativa majoritária do mercado é de redução, embora persista incerteza sobre o tamanho do ajuste: a maior parte dos agentes projeta um corte de 0,25 ponto percentual, enquanto parcela menor ainda aposta em uma queda de 0,50 ponto.

O que mudou desde a última reunião do Copom

Na última reunião, realizada em janeiro, o colegiado indicou que planejava iniciar reduções em março. À época, as probabilidades implícitas nas Opções de Copom chegaram a apontar mais de 80% de chance de um corte de 0,50 ponto.

No entanto, eventos recentes alteraram as projeções. Dados coletados na quinta-feira (12) mostram que 53% das posições do mercado esperam agora um corte de 0,25 ponto, 25% consideram manutenção da taxa e 23% ainda projetam uma redução de 0,50 ponto.

A escalada do conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo no mercado internacional, o que tem potencial de pressionar a inflação no curto e médio prazo. Segundo Jose Áureo Viana, sócio da Blue3 Investimentos, altas acentuadas em commodities tendem a ser rapidamente repassadas a combustíveis e custos logísticos, pressionando a inflação tanto global quanto doméstica. Para ele, um corte de 0,25 ponto estaria em linha com uma postura gradualista do Banco Central, que permitiria observar melhor a evolução das expectativas inflacionárias, da atividade econômica e do cenário externo.

Além do impacto externo, indicadores de inflação no Brasil mostraram resultados acima do esperado. Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, afirma que a expectativa é por um corte de 25 pontos base, diante da pressão do dólar e do petróleo mais altos e da inflação que segue acima do ideal, conforme o IPCA de fevereiro. Perri considera menos provável a manutenção, que dependeria de uma desancoragem significativa da taxa de câmbio.

Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, ressalta a resiliência da inflação e das expectativas, citando elevações nas projeções do IPCA para 4,10% e da Selic terminal para 12,25% em 2026 no relatório Focus. Para ele, o Banco Central tem sido forçado a adotar postura mais conservadora; diante do aumento da incerteza, há ainda uma chance real de o Copom optar por manter a Selic em 15% na reunião de quarta-feira para conter a deterioração das expectativas.

Imagem: Antonio Cruz/Agência Brasil

Eduardo Amorim, analista de investimentos da Manchester Investimentos, aponta que mais relevante que a magnitude do corte será o tom do comunicado do Copom. Se o corte for de 0,50 ponto, a mensagem provavelmente será mais rígida, deixando claro que isto não implica em aceleração do ciclo de redução. Caso prevaleça o corte de 0,25 ponto, a leitura tende a ser de cautela diante da piora recente no balanço de riscos.

O que fazer com seus investimentos?

Com o início de um ciclo de queda da Selic, alguns ativos podem se beneficiar mais do movimento. Viana, da Blue3 Investimentos, indica que títulos prefixados e papéis atrelados à inflação com prazos intermediários a longos tendem a ganhar destaque, já que combinam potencial de valorização com proteção do poder de compra. Ele sugere considerar vencimentos entre dois e cinco anos como um equilíbrio entre retorno e volatilidade. Bruno Perri lembra, por sua vez, que títulos pós-fixados continuam menos voláteis e ainda se aproveitam do patamar historicamente elevado da Selic.

As decisões do Copom e o tom do comunicado devem guiar a avaliação dos investidores sobre alocação entre renda fixa prefixada, indexada à inflação e pós-fixada.

Com informações de Borainvestir.b3