Transmissão: Record

Horário: 11h45 (Brasília UTC-3)

A Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, encerrou 2025 com resultados históricos, mas avisou investidores que a rentabilidade deve ficar pressionada em 2026.

A empresa controlada pela família Vilela de Queiroz registrou lucro líquido de R$ 848 milhões no ano de 2025, revertendo o prejuízo do ano anterior, além de um Ebitda recorde de R$ 4,8 bilhões, alta de 54,1% em relação a 2024.

Em teleconferência com analistas, o CFO Edison Ticle declarou que a companhia espera margens mais apertadas em 2026, citando aumento de custos com frete, energia e, sobretudo, a elevação do preço do gado. “Isso tudo deve fazer com que a nossa margem em 2026 seja pior do que a margem de 2025”, afirmou o executivo.

Segundo Ticle, o ciclo pecuário brasileiro passou a apresentar oferta mais restrita, com retenção de fêmeas e menor disponibilidade de animais para abate, pressionando a arroba a níveis elevados e acima da inflação. O quadro global também favorece preços mais altos: há menor oferta de carne bovina em mercados como os Estados Unidos, com estimativas de redução de produção que podem tirar até 1 milhão de toneladas do suprimento internacional.

O anúncio sobre perspectivas de margens mais estreitas impactou as ações da Minerva na B3: por volta das 11h45, o papel da companhia recuou 8,84%, para R$ 3,92, liderando as quedas do Ibovespa.

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Perspectiva de receita e desalavancagem

Apesar do alerta sobre rentabilidade, a empresa projeta crescimento de receita de até 10% em 2026, sustentado principalmente pelo repasse de preços no mercado externo. A companhia afirmou que o Ebitda de 2025 servirá como “piso” para os resultados deste ano.

A estratégia para alcançar essas metas passa pela diversificação geográfica, que permite realocar fluxos comerciais diante de mudanças regulatórias — como cotas de importação da China — e de restrições em mercados específicos. Cerca de metade da operação da Minerva já está fora do Brasil, o que, segundo o CEO Fernando Galletti de Queiroz, amplia a capacidade de arbitragem entre países e destinos.

No mercado doméstico, a companhia vê desafios, com consumo pressionado e migração para proteínas mais baratas, como frango e suíno. Após concluir a integração dos ativos adquiridos da Marfrig — processo que ajudou a impulsionar receita e rentabilidade em 2025 — a Minerva passa a concentrar esforços na redução do endividamento. A meta para 2026 é reduzir a dívida líquida para cerca de 2 vezes o Ebitda, abaixo das 2,6 vezes registradas ao fim do ano passado.

Com informações de Investnews