A agência de classificação de risco Moody’s alerta que a crescente dependência comercial da América Latina em relação à China cria um “duplo risco” para as economias da região. Em relatório divulgado pela agência, a relação com o mercado chinês tem ampliado exportações e investimentos, mas também intensificado vulnerabilidades estruturais.

Segundo a análise, os países latino-americanos vêm exportando cada vez mais matérias‑primas para a China ao mesmo tempo em que aumentam as importações de produtos industrializados chineses. Esse padrão tem concentrado a pauta exportadora em itens de baixo valor agregado, como minério de ferro, petróleo, cobre e produtos agrícolas, elevando a exposição da região às flutuações do ciclo econômico chinês e à volatilidade dos preços internacionais.

Ao mesmo tempo, o avanço das exportações chinesas em escala global tem pressionado fabricantes locais. Setores apontados como mais vulneráveis à concorrência são aço, automóveis, máquinas, eletrônicos e produtos químicos, que enfrentam produtos chineses com preços competitivos e produção em grande escala.

A Moody’s destaca ainda que o risco não se limita a uma eventual desaceleração da China. A mudança no modelo de crescimento do país asiático — da construção e infraestrutura para áreas de alta tecnologia e manufatura avançada — tende a reduzir a demanda por algumas commodities tradicionais, impactando diretamente economias cuja pauta exportadora depende desses produtos.

No caso do Brasil, o relatório identifica pontos de fragilidade em diversos segmentos industriais. A agência aponta riscos mais elevados nos setores automotivo, de máquinas, equipamentos elétricos, químicos, borracha e plástico, em razão da maior dependência de insumos chineses e da concorrência de produtos importados. Em contraste, atividades ligadas ao setor florestal e madeireiro são consideradas entre as menos expostas.

Moody’s alerta para “duplo risco” da dependência da China na América Latina

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O documento também observa que a participação de componentes e insumos chineses nas exportações brasileiras cresceu de forma significativa nos últimos anos, refletindo maior integração das cadeias produtivas. Embora isso possa trazer ganhos de eficiência e redução de custos, aumenta a dependência de fornecedores externos e a suscetibilidade a choques comerciais ou geopolíticos.

Para a Moody’s, o desafio central para a América Latina é diversificar a base de exportações, elevar a produção de bens com maior valor agregado e reforçar a competitividade industrial. Sem essas mudanças, a agência diz que a região corre o risco de aprofundar sua dependência de commodities e perder espaço em segmentos estratégicos da economia global.

Com informações de Portalin