Economistas do Morgan Stanley demonstram preocupação com os efeitos do El Niño na economia brasileira, em especial sobre a inflação medida pelo IPCA. No diagnóstico apresentado pelo banco americano, o cenário-base assume intensidade moderada do fenômeno, mas já aponta impactos significativos sobre o índice de preços ao consumidor.

Segundo o relatório, os efeitos observados no IPCA sob o cenário considerado são bastante evidentes, embora os analistas ressaltem a possibilidade de um desdobramento mais intenso do El Niño. Caso o fenômeno se confirme em magnitude superior à projetada no cenário-base, os impactos inflacionários poderiam se ampliar.

Essa possibilidade leva os economistas do Morgan Stanley a advertir que a prática habitual do Banco Central de “olhar através” do choque climático — a chamada abordagem “look through” — pode se tornar mais difícil de sustentar. Em outras palavras, se a elevação dos preços decorrente do El Niño for mais forte e persistente, a autoridade monetária teria menos margem para tratar o efeito como temporário sem ajustar suas decisões de política.

O banco destaca, portanto, que o ambiente para a condução da política monetária tende a ficar mais exigente caso os impactos do fenômeno climático extrapolem a intensidade prevista no cenário-base. A análise sublinha o potencial de compressão do espaço de manobra do Banco Central frente a choques meteorológicos que repercutam de forma expressiva sobre o IPCA.

O texto também aponta que, mesmo sob a hipótese moderada considerada pelo Morgan Stanley, os efeitos sobre os índices de preço já são notáveis, o que reforça a atenção dos formuladores de política e dos mercados para a evolução do El Niño e suas implicações para a trajetória da inflação no Brasil.

Morgan Stanley alerta para risco do El Niño elevar pressão sobre inflação e reduzir espaço de ação do BC

Imagem: Rogerio Vieira/Valor

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Com informações de Valor.globo