Questões sobre preços e coberturas de seguros para mulheres ainda geram dúvidas frequentes. Especialistas do setor ouvidos pelo InfoMoney dizem que, na maior parte dos casos, o gênero não é o determinante principal no custo das apólices e que algumas garantias dependem do tipo de produto contratado.

Quem e como são calculados os preços

Segundo Roberto Lopes Passos, coordenador da Comissão de Vida, Previdência e Capitalização do Sincor-SP, a precificação do seguro de vida segue critérios atuariais baseados em estatísticas de mortalidade e expectativa de vida. Ele afirma que, historicamente, as mulheres têm maior expectativa de vida, o que tende a resultar em prêmios menores na cobertura básica de morte.

Passos ressalta que o gênero pode compor a análise, mas sempre dentro de modelos técnicos e regulados. Entre os fatores que têm peso relevante na formação do preço estão a idade, ocupação profissional, hábitos de vida (como tabagismo), histórico de saúde, o capital segurado contratado e coberturas adicionais incluídas na apólice.

Seguro de automóvel e diferença observada

No caso do seguro de automóvel, o gênero é um entre vários critérios considerados, junto com região de circulação do veículo, modelo do carro e histórico de sinistros. Um levantamento da corretora digital Creditas Seguros aponta que, em janeiro de 2026, homens pagaram em média R$ 2.390,32 pelo seguro auto, enquanto mulheres desembolsaram R$ 2.908,42 — uma diferença média de R$ 518,10 a mais para o público feminino.

Cobertura para câncer e outras doenças

Ao contrário do que acreditam alguns consumidores, o seguro de vida tradicional paga indenização em caso de morte por doença, inclusive câncer. Já o seguro contra doenças graves — modalidade que antecipa o pagamento ao segurado em vida — cobre enfermidades previstas no contrato, como câncer, AVC, infarto, Alzheimer e Parkinson, conforme as definições da apólice.

Regina Costa Bentes, corretora e representante do Sincor-MG, explica que esses produtos costumam ter período de carência, normalmente por volta de 90 dias a partir do início da vigência; se o diagnóstico ocorrer nesse intervalo, a indenização não é paga. Além disso, a cobertura para câncer pode depender do estágio da doença, com alguns contratos pagando apenas em fases avançadas e outros já prevendo indenização em fases iniciais.

Imagem: Ap

Gravidez e condições específicas da saúde feminina

Problemas como endometriose, infertilidade ou complicações na gestação, por si só, geralmente não geram indenização no seguro de vida, a menos que evoluam para um evento coberto, como invalidez permanente ou morte. Passos lembra que seguro de vida não substitui plano de saúde: enquanto planos custeiam tratamentos e exames, o seguro foca eventos que acarretam impacto financeiro relevante.

Bentes observa que algumas seguradoras podem impor restrições ou limitar a contratação de novas apólices dependendo do estágio da gestação, para mitigar riscos. A indenização por invalidez total pode ser devida se a segurada desenvolver uma doença que cause a incapacidade, não por causa direta da gestação. Também há apólices que permitem coberturas adicionais para despesas médicas hospitalares e odontológicas, em regime de reembolso.

As explicações dos especialistas mostram que diferenças de preço e regras de cobertura variam conforme o tipo de seguro e as condições contratuais, mais do que pelo gênero isoladamente.

Com informações de Infomoney