Uma pesquisa do Instituto Locomotiva encomendada pela 99Pay mostra que, ao escolher uma instituição financeira, as mulheres bancarizadas no Brasil dão mais importância a benefícios como rendimento automático, cashback e descontos do que os homens. O levantamento indica maior sensibilidade feminina a ofertas que aumentem o retorno do saldo e o poder de compra no dia a dia.

Principais achados

Segundo o estudo, 73% das mulheres bancarizadas afirmam que o rendimento automático do saldo tem grande influência na escolha da instituição, ante 71% dos homens. O cashback impacta a decisão de 68% das mulheres (65% entre homens), e os descontos em parceiros pesam para 65% delas, contra 61% do público masculino.

Esse padrão aparece também no comportamento de consumo: 71% das mulheres dizem que o cashback influencia diretamente suas compras, enquanto 68% destacam os descontos como fator relevante — novamente, índices superiores aos observados entre os homens.

Expectativa e uso efetivo

Apesar do alto reconhecimento desses recursos, há um descompasso entre conhecimento e uso. O cashback é conhecido por 94% das mulheres e o rendimento automático atrelado ao CDI por 75%, mas a adoção prática é menor em relação aos homens. Apenas 57% das mulheres declaram já ter usado cashback, contra 67% dos homens. Para investimentos com rendimento automático, 56% das mulheres afirmam ter aderido, frente a 70% dos homens.

O Instituto Locomotiva interpreta essa diferença não apenas como uma questão comportamental, mas como sinal de barreiras estruturais de acesso ao ganho financeiro. Na avaliação do presidente do instituto, Renato Meirelles, existe uma lacuna entre reconhecer o valor desses produtos e conseguir transformar esse reconhecimento em ganho real para as mulheres.

Renda como fator explicativo

Parte da explicação para o menor uso está na discrepância salarial: dados do Ministério do Trabalho apontam que, em média, as mulheres recebem 21% menos que os homens no Brasil. Nesse cenário, produtos que ofereçam retorno prático tendem a ser vistos como ferramentas de gestão financeira cotidiana e não apenas diferenciais comerciais.

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Marina Beer, diretora de Marketing da 99Pay, afirma que há maior atenção a benefícios que entreguem retorno concreto e ajudem a esticar o orçamento.

Implicações para instituições financeiras

Para bancos e fintechs, o levantamento indica demanda evidente entre o público feminino por benefícios conhecidos, mas com espaço para ampliação do uso efetivo. O estudo sugere que a simplificação de produtos, comunicação clara e soluções que não exijam valores mínimos ou conhecimento técnico podem reduzir as barreiras e permitir que mais mulheres convertam o reconhecimento desses benefícios em ganhos reais.

O desafio apontado pela pesquisa é garantir que esse potencial se traduza em acesso efetivo aos benefícios no cotidiano das clientes.

Com informações de Infomoney