O Supertufão Bavi ameaça territórios dos Estados Unidos no Pacífico, com previsão de chegada à região na noite deste domingo (horário de Brasília) — manhã de segunda-feira no Pacífico. Moradores de Guam e das Ilhas Marianas do Norte passaram o domingo reforçando moradias, estocando mantimentos e deslocando-se a abrigos antes da passagem da tempestade, que pode causar danos graves.

Força do tufão e prognóstico

O Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NWS) informou que o ciclone traz ventos sustentados de 260 km/h, equivalentes a um furacão de categoria 5, com rajadas que podem alcançar até 315 km/h. O órgão classificou o Bavi como “muito perigoso” e advertiu para a possibilidade de danos catastróficos nas áreas mais próximas ao centro da tempestade.

Além dos ventos extremos, a previsão aponta risco de chuvas torrenciais, alagamentos costeiros e ondas de até 10,7 metros, e o NWS alertou que ventos em intensidade de tempestade tropical podem começar já na tarde ou noite de domingo. Há ainda elevado risco de inundações e ressacas.

Medidas de emergência

Em preparação para a chegada do tufão, Guam abriu cinco centros de evacuação localizados em escolas, com capacidade combinada para 1.900 pessoas, priorizando moradores de residências mais vulneráveis. O serviço meteorológico destacou que a janela para buscar abrigo e evacuação estava se fechando.

A Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) mobilizou equipes e suprimentos para Guam: foram enviados 1,1 milhão de litros de água, 1,2 milhão de refeições, 6.700 camas dobráveis e 90 geradores para apoio à população, se necessário.

Contexto regional e histórico recente

As Ilhas Marianas do Norte têm cerca de 40 mil habitantes, enquanto Guam abriga aproximadamente 170 mil pessoas. As previsões indicavam que o ponto de maior aproximação do Bavi seria a ilha de Rota, situada entre Guam e Saipan, onde moram cerca de 1.500 pessoas. O prefeito de Rota, Aubry Hocog, pediu que a população siga as orientações oficiais e afirmou que a comunidade está em oração pela segurança dos moradores.

A região ainda convive com os efeitos de tempestades recentes: em meados de abril, o Supertufão Sinlaku deixou dezenas de milhares sem energia, derrubou árvores, virou veículos e arrancou telhados metálicos. Em 2023, o tufão Mawar, considerado o mais intenso em décadas, também provocou destruição ampla.

Imagem: Divulgação

Segundo o representante local Damon Michael Borja, essas experiências ajudaram a aprimorar planos de resposta, especialmente nos setores de energia, abastecimento de água e proteção da população. Ele observou que, após o Mawar, algumas áreas levaram quase três meses para restabelecer serviços essenciais, enquanto a recuperação após o Sinlaku levou cerca de três semanas em muitos locais.

Fatores climáticos

O Serviço Marinho Copernicus informou que junho foi o mês mais quente já registrado nos oceanos, e que novos recordes podem ocorrer nos próximos meses. Oceanos mais aquecidos aumentam a energia disponível para tempestades tropicais e elevam a umidade atmosférica, resultando em chuvas mais intensas.

A Organização Meteorológica Mundial comunicou que o El Niño já começou no Pacífico tropical e tem alta probabilidade de evoluir para uma fase forte, aquecendo as águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental e alterando padrões de vento, pressão e precipitação em diversas regiões.

Aguardam-se novos boletins meteorológicos para acompanhar a evolução do Supertufão Bavi e orientar ações de proteção às comunidades afetadas.

Com informações de Olhardigital