A fintech Neon encerrou 2025 com resultado operacional misto: obteve lucro no quarto trimestre, mas registrou prejuízo contábil de R$ 43 milhões no acumulado do ano. A receita bruta da empresa somou R$ 3,5 bilhões, alta de 55% em relação a 2024, e o prejuízo anual caiu de R$ 357 milhões para R$ 43 milhões, redução próxima a 90%.
Os números consolidados mostram evolução da carteira de crédito, que alcançou R$ 7,8 bilhões ao fim de 2025, avanço de 33% sobre o ano anterior. O cartão de crédito manteve-se como produto predominante e cresceu 30%, totalizando R$ 6,1 bilhões. O crédito consignado privado cresceu 48%, e a linha de empréstimo pessoal teve o maior salto, com alta de 172% na comparação anual, contribuindo de forma relevante para o resultado positivo do período.
Em setembro, quando o InfoMoney conversou com Wilton Pinheiro — então CTO da fintech — ele comparou a fase da empresa à de um adolescente que “ganha um dinheirinho, mas ainda perde um pouquinho mais do que ganha”. Naquele momento, a Neon também lançou um rebranding com o lema “Pra Você Viver no Azul” e prometeu uma melhora consistente na rentabilidade. Os dados de 2025 indicam que parte dessa evolução migrou do discurso para o demonstrativo financeiro.
No meio do ano, a carteira estava em R$ 7 bilhões, com o cartão representando R$ 5,4 bilhões. A segunda metade do ano acelerou o crescimento, sinalizando que a estratégia de conceder crédito de forma mais seletiva obteve tração.
A empresa destaca ainda que a despesa com provisões se manteve estável na mesma proporção do crescimento do portfólio, apesar de a inadimplência do mercado ter avançado mais de 30% segundo a própria companhia. Para ampliar o funding, a Neon captou R$ 5,3 bilhões em CDBs, movimento que fortalece a base de recursos, mas eleva as obrigações financeiras.
Imagem: Ap
Mudanças na gestão e desafios
Ao longo do ano, a fintech promoveu mudanças na alta administração. Ana Luiza Franco Forattini, com passagens pelo Inter e pelo escritório Machado Meyer, assumiu as áreas jurídica, de compliance e regulatória. Ramon Martinez, com experiências no Citi, BNP Paribas e Nubank, foi nomeado Chief Risk Officer (CRO). Fabiola Marchiori chegou para ocupar a posição de CTO, vindo de passagens por Algar Tech, Itaú e Nubank.
Mesmo com a melhora nos indicadores, a Neon ainda enfrenta desafios: a rentabilidade consistente não está totalmente consolidada, e a penetração da marca está aquém dos grandes incumbentes. Crescer além da base de 32 milhões de clientes e converter um número maior deles em tomadores ativos de crédito é apontado como prioridade para 2026.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6