Lead: A disforia sensível à rejeição (DSR) provoca dor emocional intensa e pode atrapalhar o desempenho profissional, especialmente em pessoas com histórico de transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) que vivenciaram críticas excessivas na infância.

O que é e como se manifesta

A Cleveland Clinic define a condição como “dor emocional intensa devido a um fracasso ou sentimento de rejeição”. Para quem convive com DSR, experiências que outras pessoas conseguem relativizar podem provocar reações avassaladoras e vergonha profunda. No ambiente de trabalho, isso se traduz em sensações parecidas com um golpe emocional que dificulta retomar a rotina.

Relatos de quem tem DSR indicam dificuldades como interpretar trocas de e-mail ou interações sociais como sinais de rejeição, ruminar conversas e perder foco nas tarefas. A sensação de desaprovação pode levar a pedidos de desculpas frequentes, hesitação em solicitar ajuda e medo de expor fragilidades, o que compromete oportunidades de promoção ou de negociar melhores condições.

Impacto na carreira

No trabalho, a DSR pode alterar a maneira de se comunicar: algumas pessoas tornam-se excessivamente diretas ou evitam interações para reduzir o risco de críticas, o que pode ser percebido como grosseria e gerar mais atrito. O medo de rejeição também dificulta pedir apoio, aceitar feedback ou delegar tarefas.

Outra consequência comum é a combinação entre a necessidade de agradar e a busca por perfeição: a pessoa aceita mais responsabilidades do que pode e, por outro lado, demora para concluir entregas até ter certeza de que estão impecáveis. Esse padrão favorece o esgotamento profissional.

Além disso, quem vive DSR tende a apresentar empatia acentuada e sensibilidade às emoções alheias, o que pode levar a tratar todos com o mesmo grau de informalidade — inclusive superiores — e, com isso, provocar tensão em ambientes com hierarquia estabelecida.

Imagem: Anton Vierietin via Getty images

Estratégias de manejo no trabalho

Especialistas e pessoas que convivem com a condição indicam algumas medidas práticas: conversar abertamente com a equipe sobre a DSR e explicar como determinados comportamentos afetam você; combinar respostas e sinais que ajudem a lidar com gatilhos; e ter um plano para se afastar temporariamente do ambiente quando surgir uma crise emocional.

Ao sofrer um gatilho, recomenda-se não reagir de imediato, analisar os fatos separando-os dos sentimentos e avaliar se houve intenção de magoar por parte do outro. Técnicas simples de respiração, refrases positivas e a lembrança das próprias qualidades profissionais ajudam a interromper espirais negativas.

Se o ambiente de trabalho não oferecer suporte adequado, buscar outra posição onde haja maior compreensão e valorização também é apontado como alternativa legítima para preservar o bem‑estar.

Com informações de Fastcompanybrasil