Oncoclínicas estuda solicitar uma medida cautelar para se proteger de credores enquanto enfrenta crescente pressão financeira, segundo fontes com conhecimento do assunto.

Pessoas próximas à companhia informaram que a operadora brasileira de tratamento oncológico corre risco de descumprir alguns covenants — cláusulas contratuais vinculadas a seus financiadores — e que um pedido de proteção temporária pode ser apresentado nos próximos dias. Elas pediram anonimato e afirmaram que o formato e o momento da ação ainda estão em debate e podem ser alterados.

Uma alternativa considerada seria buscar uma cautelar de mediação específica com credores de CRI, títulos lastreados em recebíveis imobiliários no Brasil, em vez de um pedido cautelar de caráter mais amplo, disseram as fontes. A informação foi divulgada anteriormente pelo jornal Valor Econômico.

Fontes apontaram que atrasos em tratamentos aumentaram enquanto a empresa realiza um processo de enxugamento. A companhia vem ajustando o quadro de funcionários e a rede de clínicas, tendo cortado cerca de 70 vagas nas últimas semanas, segundo as mesmas pessoas.

A Oncoclínicas não comentou as informações.

Contexto financeiro e operacional

A empresa integra um grupo de companhias do setor de saúde que tentam reduzir endividamento após fase de expansão acelerada, em um cenário em que taxas de juros em dois dígitos complicam a recuperação. Dados compilados pela Bloomberg indicam que a Oncoclínicas não emitiu títulos globais e que sua dívida está denominada em moeda local.

Segundo reportagens anteriores, a companhia dispõe de recursos suficientes para cerca de 15 dias e recebeu três propostas para enfrentar a situação de liquidez. O levantamento também apontou que aproximadamente 3 mil pacientes sofreram atrasos de cerca de uma semana nos atendimentos oncológicos, com os casos mais graves sendo encaminhados a hospitais parceiros.

Imagem: Divulgação

No mercado corporativo brasileiro, recentes episódios de reestruturação incluem a Raízen e o GPA adotando recuperação extrajudicial, e a Alliança Saúde também buscando medidas cautelares, alinhando-se a um movimento mais amplo de renegociação de dívidas.





Investidores têm levantado preocupações sobre possíveis conflitos de interesse e práticas de governança envolvendo a Oncoclínicas, em parte pelas ligações da empresa com o Banco Master. A companhia também adiou a divulgação dos resultados financeiros de 2025, que passaram de 30 de março para 9 de abril.

Não há decisão final anunciada sobre a eventual medida cautelar; fontes afirmam que diferentes caminhos ainda estão sendo avaliados internamente.

Com informações de Investnews