O tempo médio de permanência das empresas nos portfólios de gestores de private equity no Brasil aumentou nos últimos anos, refletindo uma menor velocidade nas saídas — vendas de participações que geram liquidez para os investidores. Entre 2023 e 2025, esse período médio alcançou seis anos e três meses, segundo recorte do Relatório Global de Private Equity da Bain & Company para a região.

No ciclo de investimentos considerado de 2018 a 2022, caracterizado por um superciclo em private equity, a média era inferior: cinco anos e três meses. Apesar de o número absoluto de desinvestimentos nos últimos três anos ter se mantido próximo ao observado naquele período, o problema para o setor é o aumento do estoque de empresas dentro das gestoras, explica Gustavo Camargo, sócio da Bain e líder da prática de Private Equity para a América do Sul.

As saídas passaram a representar uma fatia menor do total de empresas nos portfólios: em 2023 equivaliam a 9% do conjunto, caindo para 7% em 2024 e para 4% em 2025. Enquanto isso, as gestoras continuaram a incorporar novas companhias, elevando o número total de empresas sob gestão.

Hoje, o estoque chega a cerca de 250 empresas, metade delas com investimentos superiores a quatro anos e 30% com mais de seis anos — parcela que, segundo a Bain, já deveria buscar liquidez no mercado.

A seletividade maior por parte dos investidores também afetou a composição temporal das carteiras. Em 2020, 24% das empresas nos fundos tinham mais de seis anos; em 2025, essa proporção subiu para 29%. No extremo oposto, a participação de empresas com menos de dois anos encolheu de 35% para 22% no mesmo período.

Camargo aponta que a demora para realizar saídas reduz a taxa de retorno: quanto mais tempo um ativo permanece na carteira, maior precisa ser a valorização da empresa para compensar o investidor. Isso exige planos claros de geração de valor capazes de convencer potenciais compradores sobre o incremento no valor da companhia.

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Outra consequência do prolongamento dos prazos é a pressão sobre a captação de recursos. Com saídas mais lentas e rentabilidade afetada, retornos para fundos de pensão, fundos soberanos, famílias e outros investidores diminuem, prejudicando o comprometimento com novos aportes.

O fenômeno não se restringe ao Brasil. Globalmente, entre 2023 e 2025 a parcela de empresas com mais de cinco anos nos portfólios aumentou de 33% para 39%, ao passo que a participação das com menos de dois anos recuou de 46% para 35%. A Bain atribui parte dessa pressão aos investimentos extraordinariamente elevados em 2021 e 2022, quando preços pagos requereram níveis maiores de crescimento operacional e foram seguidos por eventos imprevisíveis como pandemia, alta de juros e debates sobre tarifas.

O quadro atual evidencia um desafio para gestores e investidores: encontrar saídas em um mercado que exige comprovação de geração de valor maior para justificar pagamentos e recuperar retornos.

Com informações de Infomoney