Durante a GTC 2026, realizada entre 16 e 19 de março e organizada pela Nvidia, o CEO Jensen Huang defendeu que empresas devem adotar estratégias baseadas em OpenClaw e em sistemas agênticos, descrevendo esse novo arranjo como “o novo computador”. O comentário chamou atenção por apontar uma transformação na forma como tecnologia e trabalho podem se relacionar nos próximos anos.
OpenClaw é apresentado como um projeto open-source formado por agentes de inteligência artificial capazes de cumprir tarefas de forma autônoma a partir de objetivos definidos. Esses agentes coordenam fontes distintas de dados, utilizam ferramentas variadas e tomam decisões intermediárias para perseguir resultados, reduzindo a necessidade de comandos humanos em cada etapa.
O que muda na prática
Na prática, a adoção de agentes altera a organização do trabalho. Em vez de empregar IA apenas como suporte — para acelerar tarefas ou gerar recomendações sob direção humana —, a empresa passa a estabelecer metas e deixar que o agente execute atividades correlatas. Em um exemplo citado, num cenário comercial o agente poderia acessar o CRM, identificar oportunidades, contactar clientes, propor abordagens e ajustar sua atuação conforme os resultados, focalizando o objetivo mais do que tarefas isoladas.
Pesquisas recentes revelam que o uso de IA já vinha avançando, porém de maneira desigual. Um levantamento da Gallup indica que 46% dos trabalhadores nos Estados Unidos utilizam IA pelo menos algumas vezes ao ano, mas apenas 12% recorrem a essas ferramentas diariamente. Entre os que já adotaram IA, a frequência de uso tende a crescer, o que sugere maior intensidade de aplicação entre usuários existentes, enquanto a ampliação da base de usuários segue mais lenta.
Impactos organizacionais e desafios
Relatórios, como o da McKinsey, apontam que o desenvolvimento desses sistemas tende a promover o conceito de “empresa agêntica”, em que humanos e agentes de IA atuam como colegas de trabalho. Essa transição exige redesenho de processos, redistribuição de decisões e definição clara de governança. Segundo o estudo, 86% dos líderes empresariais acreditam que suas organizações não estão prontas para integrar IA nas operações diárias, e apenas uma pequena parcela prevê agentes autônomos como companheiros de equipe no curto prazo.
O papel humano, segundo os debatedores, transforma-se em supervisão estratégica, definição de objetivos e responsabilidade sobre resultados, elevando a importância de habilidades como julgamento, visão sistêmica e inteligência emocional. Ao mesmo tempo, a emergência de agentes-coworkers, exemplificada por ferramentas como Claude, altera a interface de uso da tecnologia, que tende a se aproximar de fluxos colaborativos contínuos em vez de comandos pontuais.
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Questões relacionadas à segurança, governança, privacidade e ética permanecem centrais. Jensen Huang destacou a necessidade de camadas adicionais de controle nesses sistemas, e iniciativas voltadas a proteção e regulação têm ganhado foco entre desenvolvedores e empresas.
Na avaliação de atores do mercado, como a Aimana, a IA gera valor quando é integrada aos processos e orientada por objetivos claros. Dessa forma, organizações que redirecionarem seus modelos operacionais para integrar agentes e pessoas de forma intencional tendem a capturar ganhos de eficiência e escala superiores aos obtidos por simples automação de tarefas.
O debate levantado na GTC 2026, portanto, coloca em perspectiva que a adoção de sistemas agênticos pode representar mais do que uma nova ferramenta: trata-se de uma alteração na lógica de como o trabalho é estruturado e executado. Empresas que anteciparem essa mudança podem obter vantagem competitiva.
Com informações de Canaltech

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6